terça-feira, 24 de março de 2015

Superdotado descoberto em escola pública de SP é aprovado em universidade de ponta dos EUA

Empresário aos 19 anos, Dubugras vai começar os estudos em Stanford no ano que vem 

Henrique abriu uma empresa com um amigo há dois anosArquivo pessoal


Henrique Vasconcelos Dubugras, 19 anos, foi um aluno inquieto no ensino fundamental, daqueles que insistem em questionar a professora sobre conteúdos adiantados que constam nos livros didáticos.

Aos 12 anos, programou pela primeira vez um game no computador. A iniciativa dizia muito sobre a sua facilidade de assimilar conteúdos complexos, mas para seus pais a atividade não passava de uma brincadeira.
O passatempo fez o pequeno prodígio conseguir um emprego como programador aos 14 anos.

— Basicamente, eu programava jogos porque eu não podia pagar pelos games que existiam na internet. Meus pais achavam que eu passava o dia jogando, mas estava programando.

A trajetória incomum fez com que o estudante fosse convidado a ter aulas complementares no Instituto Alpha Lumen, na cidade de São José dos Campos, interior de São Paulo, quando cursava o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Bendito Matarazo.

O instituto é especialista em reconhecer em escolas privadas e públicas estudantes superdotados.

Assim que achamos esses alunos, corremos para fazer parcerias que permitam a eles estudar em universidades públicas brasileiras ou até fora do País”, conta Nuricel Aguilera, fundadora da instituição.  

Ela foi a primeira a cogitar que Dubugras era um estudante com altas habilidades devido à sua história e trajetória escolar.

— Trabalho há 40 anos com educação e trabalhei muitos anos com esse perfil. Esses estudantes são questionadores, acabam as atividades muito rapidamente, são mais introspectivos. Mas quando o aluno e a escola não sabem da superdotação, isso se perde. Para se desenvolver as altas habilidades, é precioso oferecer altas oportunidades e fazemos isso propondo desafios de estudos.  

Aplicação

Dubugras afirma que sempre teve vontade de estudar em uma universidade de excelência fora do Brasil. Portanto, quando foi apresentado a Nuricel, não pensou duas vezes.  

— Contei toda a minha trajetória para fazer sites e ela me ofereceu uma bolsa. Frequentei o instituto depois da escola durante o terceiro ano do ensino médio, no contraturno. Eu assistia às aulas das matérias que eu mais precisava, que eram física e matemática.

Para conseguir uma vaga em uma universidade norte-americana, o jovem utilizou informações que tinha da época em que criou um site sobre o tema.

— Na empresa em que trabalhei desde os 14 anos, fui motivado pelo meu chefe a conseguir um investimento de R$ 30 mil da Fundação Lemann para criar um site sobre orientações para brasileiros que querem estudar no exterior.

Dubugras usou as informações do portal a seu favor anos depois. Fez quatro provas diferentes para candidatos estrangeiros interessados a estudar em Stanford: uma avaliação de inglês, outra de inglês e matemática, outra só de matemática e uma última de física.

— Também tive que mandar redações sobre minha vida para a universidade em inglês. Listei todas as minhas atividades extracurriculares além dos projetos de sites, encaminhei cartas de recomendação dos meus professores e preenchi um currículo. Quatro meses depois, recebi uma resposta.  

Ele foi aprovado na Universidade de Stanford no final de 2013, mas continua no Brasil para desenvolver um novo projeto. As aulas mesmo ele irá frequentar a partir de 2016.

— Vou ficar aqui no Brasil esses anos para fazer dar certo a empresa que criei com um amigo [Pedro Franceschi] em 2013. Depois vamos para os Estados Unidos.

A empresa em questão se chama Pagar.me, site que possibilita fazer pagamentos pela internet facilmente. A ideia é fazer com que o portal chegue a uma rotatividade de R$ 500 milhões em pagamentos anualmente. 

— Com a minha formação, quero fazer empresas de tecnologia como a Pagar.me. Não ligo para a fama, mas, se eu conseguir construir algo tão grande como o Facebook, vou achar legal.  



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