domingo, 19 de janeiro de 2014

AVALIAÇAO PARA ALTAS HABILIDADES / SUPERDOTAÇÃO (avaliação para identificar possível superdotado)


 

Falo, aqui, com base em experiências que eu tive tanto nas avaliações que os meus dois filhos fizeram, como também em vários e-mails e mensagens que recebo, diariamente, de pessoas que tiveram seus filhos avaliados, por vários profissionais e o que estas pessoas acharam da avaliação pelas quais seus filhos passaram.


Algumas pessoas, que tiveram seus filhos avaliados por profissionais, que não são especialistas na área de superdotação, mas, meros psicólogos, neurologistas, médicos, ou profissionais qualquer outra área "terapêutica", sentiram-se frustradas depois da avaliação.


Frustradas porque, não só não conseguiram resolver os problemas acadêmicos da criança, na escola, como também descobriram, mais tarde que seus filhos apresentam questões emocionais sérias que deveriam ter sido atentadas na avaliação.


Desconfiem da avaliação que é feita num único dia ; em poucas horas.


Desconfiem da avaliação, que não avalia o lado emocional da criança, mas, somente conhecimentos pedagógicos.


No meu ponto de vista, a avaliação surte o seu efeito desejado, não só com a entrega de um laudo, em que se ateste as habilidades da criança, mas, também quando ela retrata como está o estado emocional da criança, quando avaliada.


Psicólogos, de preferência com especialização em neuropsicologia, com conhecimento em superdotação são os profissionais mais indicados para fazerem este tipo de avaliação.


O profissional realizará vários testes e observações comportamental, do social, emocional, em algumas sessões (que variam de 6 a 10 sessões). Realizará testes que avaliam não só o aspecto cognitivo, mas, o comportamento, o social e o afetivo também. Testes de personalidade e teoria da mente também são importantes.


Dentre os testes de inteligência, o mais usado é o Wisc, mas também pode ser aplicado o Raven. O teste denominado Columbia não apura o QI da pessoa. Somente apura a idade mental dela, mas, hoje me dia, por conta do efeito *Flynn, muitas crianças têm apresentado resultados nos testes do tipo RAVEN ou Columbia superiores aos de sua real capacidade.


O ideal é que seja feita a partir dos 5 anos, mas o profissional que avaliará a criança poderá ter uma idéia de possível avaliação, sem a aplicação do teste Wisc, mas, será mais eficiente com a sua aplicação, assim que a criança puder realizá-lo. O teste antes dos 5/6 anos não é completo, mas pode ajudar no atendimento educacional da criança. Somente os psicólogos podem aplicar os testes de inteligência.


Porém, se a criança apresentar outros comportamentos que estejam interferindo em seu desenvolvimento, tais como : dificuldade de se comunicar, interagir, alimentação seletiva, incômodo com sons e barulhos, mania, toc, repetições de fala, ansiedade exacerbada, fala ansiosa, movimentos estereotipados, o ideal é consultar uma equipe multidisciplinar composta de neuropediatra e neuropsicológo, mesmo que a criança tenha altas habilidades. Por vezes, as altas habilidades podem fazer parte de um outro quadro da condição da criança, ou pode ser uma co-ocorrência que a pessoa apresenta, mas, não exime que ela apresente outras questões ou condições, tais como : TDAH, dislexia, autismo, Asperger, bipolaridade, Transtorno de Ansiedade, etc.


Desconfiem de laudos que indiquem a aceleração de série, como proposta pedagógica, sem atentar para o lado emocional da criança, pois, de nada vai adiantar pensar somente no pedagógico, se esta criança, no futuro não estiver bem emocional (consigo mesma) ou socialmente (com os seus pares).


Pensem, com carinho, no laudo que não considera, naquele momento, a aceleração de série como melhor proposta pedagógica, para a criança superdotada, por conta do estado emocional da criança.


Confiem no laudo que, depois de avaliar o estado emocional da criança, atesta a sua superdotação e aponta que, apesar da criança apresentar algumas questões emocionais que precisam ser tratadas (em terapia ou fora dela, dependendo do caso), ainda assim, a aceleração de série é a melhor coisa.


E, fiquem seguros, quando se depararem com um laudo que, depois de rastrear o emocional da criança, com tempo necessário, atesta a sua superdotação e indica a aceleração de série como proposta pedagógica.


Acreditem, mais ainda, quando a própria escola de seus filhos, atenta para as habilidades que seu filho possui e confia na capacidade dele de se superar em série avançada, acreditando que ele não terá problemas emocionais, se isto acontecer. Isto já é um dos maiores indicativos. Mas, também, não neguem, se a escola chamar-lhes a atenção, para uma questão emocional que a criança esteja apresentando, naquele momento.


Infelizmente, tenho recebido vários e-mails e mensagens de pais que tiveram seus filhos avaliados por pessoas que não levam em consideração o aspecto emocional da criança, quando da avaliação. Estes pais buscam ajuda, pois além de terem o problema acadêmico ou pedagógico, para resolver, acabam percebendo que o problema maior está no emocional dela. Por vezes, esta descoberta é muito mais dolorosa aos pais do que às crianças.


Mas, isto tudo pode ser evitado, quando o laudo é feito de maneira criteriosa e sensata. Por isto é que os avaliadores precisam de algumas sessões para que isto aconteça. A avaliação de uma criança superdotada deve ser feita com calma e com tempo.


A orientação e eventual avaliação em questão serão realizadas pelo psicólogo dedicado à avaliação e orientação de indivíduos com altas habilidades/superdotação, mediante critérios de avaliação aceitos internacionalmente e utilizados para este tipo de avaliação, a ser realizada de forma quantitativa e qualitativa, inclusive (mas não somente) com aplicação de testes de inteligência (que somente podem ser aplicados pelos psicólogos, sendo de uso exclusivo deles), observação dos comportamentos do paciente, análise da criatividade, personalidade, características comportamentais, entre outros critérios por ele adotados, e no número de sessões necessárias que este tipo de orientação demanda, obedecendo aos padrões internacionais para este tipo de atendimento, sendo que o atendimento terá continuidade pelo psicólogo, mesmo depois da aplicação dos testes.


Sobre avaliação, assistam também este vídeo : 
http://maedecriancassuperdotadas.blogspot.com.br/2013/07/identificacao-de-superdotados-e.html


* a cada geração, o QI medido em praticamente todo o mundo tem aumentado entre 15 e 20 pontos, ou o equivalente a um quinto da inteligência "total" de uma pessoa mediana (que "vale" 100 pontos).

O fenômeno bizarro tem nome: efeito Flynn. A expressão homenageia o pesquisador americano naturalizado neozelandês James Flynn, da Universidade de Otago, que estuda a variação da inteligência há décadas e foi o primeiro a dar de cara com o aumento progressivo de QI, nos anos 1980.


10 comentários:

  1. Perfeito. Parabéns pelo texto. Beijos Juli

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  2. Juliana... Por favor me ajude. Tenho três filhos e dois deles ja tem indicação para o teste de altas habilidades por suas psicólogas e escola. Terceiro, não faz terapia, mas na minha opinião, e o mais inteligente de todos. Contudo, não sei como proceder... Soube que o teste e realmente muito caro. Vc tem alguma indicação pra me dar. Sou do Rio de Janeiro. Um abraço.

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    1. Prezada anônima, não sei se você enviou esta mensagem para mim, Claudia Hakim, ou para a Juliana da qual você se referiu. Se foi para mim, Claudia, posso lhe indicar uma neuropsicologa no RJ, para atender, avaliar e orientar seus filhos. Neste caso, me avise, que lhe indicareu.

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    2. Prezada anônima, não sei se você enviou esta mensagem para mim, Claudia Hakim, ou para a Juliana da qual você se referiu. Se foi para mim, Claudia, posso lhe indicar uma neuropsicologa no RJ, para atender, avaliar e orientar seus filhos. Neste caso, me avise, que lhe indicareu.

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. QUERO CONFIRMAR SE TENHO AUTAS HABILIDADES, COMO FAÇO?

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    1. Edielane Lacerda da Cruz, você deve procurar um profissional especializado em Neuropsicologia, um neuropsicólogo, para fazer a avaliação para apurar se você tem superdotação e/ou outras condições associadas à ela ou que se parecem com ela.

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  4. Boa noite, Cláudia!
    Sou do Rio do Janeiro, Teresópolis, e a informação que você passou para a pessoa acima me interessa também. Poderia compartilhar???
    Meu filho tem 8 anos.
    Obrigada.

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    1. Silvia, posso sim. Me escreva : claudiahakim@uol.com.br

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