sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

A INFLUÊNCIA DO DESEJO PARENTAL NAS ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: UMA ABORDAGEM PSICANALÍTICA

Você já ouviu falar do desejo inconsciente de uma mãe ter um filho superdotado ?

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Pois é.. a psicologia tem uma explicação para isso, em artigos científicos.. Achei interessante a abordagem. A quem interessar, segue o link do artigo sobre este tema : 

Extraído do artigo acadêmico : http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v12n5/152-09.pdf

The influence of the parental desire in the high abilities/superendowment: a psychoanalytical approach Janaína Pereira Pretto (1)

Rev. CEFAC. 2010 Set-Out; 12(5):859-869


De acordo com a revisão de literatura discutida, no processo de constituição do superdotado, foi possível constatar a presença maciça da sexualidade dos pais, principalmente no que esta se refere ao desejo materno. A criança superdotada, embora de uma forma inconsciente, pode ser um substituto capaz de recobrir as perdas da infância, o retorno ao tempo perdido, os amores perdidos, os ideais parentais, atendendo prontamente à demanda incondicional do Outro. Neste sentido, as altas habilidades/superdotação surgem como um traço, direcionado a responder ao fantasma parental, sobretudo, naquilo que este se relaciona ao desejo materno.

Mannoni (1), ao colocar que a demanda da mãe em relação ao filho se constitui no invólucro de seu desejo perdido, faz uma menção à função que o superdotado ocupa para sua mãe, perguntando-se sobre o que ocorre quando a mãe solicita que o filho seja inteligente. A autora responde ao questionamento afirmando que por trás dessa fantasia materna há demanda de outra ordem relacionada ao histórico da mãe, diante do qual a criança permanecerá como sombra. A relação mãe-filho vai estabelecer-se através de um prisma deformante. A criança não sabe que é chamada a desempenhar um papel para satisfazer o voto inconsciente da mãe (papel do superdotado, do débil, do doente). Sem o saber, ela é certo modo ‘raptada’ no desejo da mãe (p.43). 

Já o desejo narcisista da mulher que quer se completar por meio da criança é mais diferenciado. A mãe vê, na criança desejada, em primeiro lugar, uma extensão de seu próprio self, um apêndice de seu corpo. A criança dá, para essa mãe, nova potência a sua imagem corporal, acrescentando-lhe uma dimensão a mais, que pode ser orgulhosamente exibida. Ao lado do desejo de ser completo há ainda a fantasia da simbiose, da fusão com a criança, desejo este que vem acompanhado da vontade de retornar à unidade com a própria mãe. Ao proporcionar oportunidade de gratificação de tais fantasias de simbiose, a gravidez é também uma época para sonhar e se deleitar com fantasias de união. Depois do nascimento do bebê, o desenvolvimento e a continuidade das atitudes de apego maternal dependem da capacidade que a mulher tem de retomar suas fantasias de unidade com a própria mãe. O futuro bebê encerra em si a promessa de uma relação íntima, de uma realização de fantasias de infância.

O desejo acalentado pela mulher de gerar uma criança pode também conter em si a esperança da autoduplicação, mantendo uma noção de imortalidade: a criança será um testemunho vivo da continuidade da existência da mãe. Brazelton e Cramer (2), dizem que esse fenômeno é o desejo da mãe de se espelhar na criança. Esse anseio pela imagem especular abarca também os ideais e a tradição familiar, pois a criança representa, nesse sentido, uma promessa de continuidade, uma personificação desses valores.

Se você achou interessante, então, leia mais o artigo todo, cujo link está aqui :http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v12n5/152-09.pdf


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA :

1 - . Mannoni M. A criança retardada e a mãe. São Paulo: Martins Fontes; 1988.

2 - 15. Brazelton TB, Cramer GB. As primeiras relações. São Paulo: Martins Fontes; 1992.

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