terça-feira, 6 de novembro de 2012

O PERFECCIONISMO E A SUPERDOTAÇÃO









No Brasil, um estudo realizado por Moreira (2005), com uma amostra DE 51 estudantes superdotados, que freqüentavam o programa para alunos com altas habilidades da Secretaria de Educação do Distrito Federal, INDICOU QUE 34 (66,67%) SE CLASSIFICARAM COMO PERFECCIONISTAS SAUDÁVEIS E 10 (19,61%) COMO PERFECCIONISTAS NÃO-SAUDÁVEIS. Um percentual similar de perfeccionistas foi observado em estudo realizado por Schuler (2000), com uma amostra de 112 alunos superdotados, DOS QUAIS 98 SE IDENTIFICARAM COMO PERFECCIONISTAS. ENTRETANTO, DESTE TOTAL, 65 (58,03%) DA AMOSTRA TOTAL FORAM CLASSIFICADOS COMO SAUDÁVEIS E 33 (29,46%) COMO NÃO-SAUDÁVEIS.



Tais resultados chamam a atenção para um número significativo de alunos superdotados que necessitam de assistência, no sentido de que possam compreender e lidar melhor com a psicodinâmica de sua conduta, buscando reverter a dimensão disfuncional e destrutiva do perfeccionismo que apresentam.



A sensibilidade e intensidade emocionais observadas entre superdotados têm sido examinadas especialmente à luz da teoria de Dabrowski do desenvolvimento emocional (O’Connor, 2002; Piechowski, 1991). Esse psiquiatra polonês, que estudou a saúde mental de superdotados nas áreas intelectuais e artísticas, propôs a teoria da exercícios repetitivos, baixas expectativas do professor com relação ao desempenho do aluno, pressão ao conformismo, procedimentos docentes rígidos, com estandardização do conteúdo, aliado ao pressuposto de que todos os alunos devem aprender no mesmo ritmo e de mesma forma, além de uma cultura antiintelectualista são elementos que também ajudam a explicar o fenômeno do subrendimento. Ademais a necessidade de ser aceito pelos pares faz com que muitos alunos com altas habilidades, que se encontram na escola regular, optem por disfarçar o seu potencial intelectual superior, apresentando um rendimento acadêmico muito aquém de suas possibilidades.



A NECESSIDADE DE ORIENTAÇÃO E ACONSELHAMENTO AO SUPERDOTADO E À FAMÍLIA


Com o objetivo de ajudar o superdotado que apresenta problemas e dificuldades de ordem psicológica, vários centros e serviços de aconselhamento foram criados, especialmente nos Estados Unidos, país que mais tem investido na educação daqueles alunos que se destacam por um potencial superior. Um destes Serviços, denominado Programa de Apoio às Necessidades Emocionais do Superdotado foi, por exemplo, fundado há mais de 20 anos na Wright State University, APÓS O SUICÍDIO DE UM ADOLESCENTE INTELECTUALMENTE BRILHANTE. Alguns destes centros, como o da Universidade de Iowa, vem atuando não apenas no aconselhamento psicológico, mas também na orientação vocacional e aconselhamento familiar (Colangelo, 1991).



Entre os problemas, que têm sido apontados entre superdotados que necessitam desses serviços, salientam-se o perfeccionismo e medo do fracasso, ambivalência a respeito de si mesmo, baixa auto-estima, subrendimento, desvio das normas impostas pela família e pelo grupo de mesma idade além do isolamento social.



Por outro lado, um dos problemas críticos enfrentados por muitos superdotados na escolha profissional diz respeito às pressões para que sigam determinadas carreiras mais valorizadas socialmente e que são tidas como mais adequadas àqueles alunos que se destacam por suas habilidades superiores. Segundo Colangelo (1991), estas pressões podem dificultar a este aluno "seguir o seu coração" na escolha profissional, diante da oposição encontrada na própria família, que não deseja ver o filho desperdiçar o talento em áreas tidas como de menor prestígio.



Outras dificuldades podem ser vividas também pelo superdotado no meio da família em função de empenhando-nos na construção de um sistema educativo que reconheça e atenda as necessidades do superdotado em suas distintas esferas – intelectual, social e emocional.




Espera-se que o presente texto contribua para chamar a atenção, do público em geral e dos psicólogos e estudantes de Psicologia em especial, para as características emocionais do superdotado, aspecto este pouco discutido na grande maioria dos cursos de Psicologia. Este é um tema de grande relevância, especialmente pela necessidade de medidas de apoio àqueles alunos que se destacam por um potencial superior, de tal forma que possam lidar melhor com a sua dimensão sócio-emocional.




REFERÊNCIAS

Alencar, E. M. L. S. (1986). Psicologia e educação do superdotado. São Paulo: EPU.

Alencar, E. M. L. S. (1994). Perspectivas e desafios da educação do superdotado. Em E. M. L. S. Alencar (Org.), Tendências e desafios da educação especial (pp. 104-124). Brasília:

Secretaria de Educação Especial.

Alencar, E. M. L. S. (2001). Criatividade e educação de superdotados. Petrópolis: Vozes.

2 comentários:

  1. Olá Claudia,
    Em meio a uma pesquisa caí no seu blog e estou me deliciando com os textos :)
    sou mãe de uma menina com altas habilidades, diagnosticada aos 5 anos após uma serie de problemas com escola e dificuldades de interagir com colegas, hoje ela está com 10 está bem inserida, se mantem um pouco isolada dos amigos, mas interage bem com outras crianças da mesma idade, apenas não cria vínculos a ponto de ir na casa brincar, chamar p passear etc

    Obrigada por compartilhar o conhecimento
    bjs
    p.s. tb fui uma criança com altas habilidades, acho q isso me ajuda a me relacionar melhor com a minha filha e ajuda-la em suas necessidades afetivas

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  2. Olá,Ostra,

    Fico feliz que você tenha gostado do Blog e de saber que, apesar dos percalços que você mencionou em seu comentário, hoje, a sua filha (que tem quase a idade da minha filha mais velha) está bem.

    Venha participar do grupo “Mãe de Crianças Superdotadas”, que eu tenho no facebook. Este grupo é destinado para os pais que procuram o melhor para o desenvolvimento do seu filho em todos os aspectos e também para os profissionais e pessoas quem possuem interesse, na área da superdotação.

    Todos serão bem vindos. Não é necessário que você tenha um filho comprovadamente superdotado.
    O grupo é fechado, para que as pessoas tenham mais liberdade de expressão, para que não tenham medo de tirar suas dúvidas e sofrer consequências ruins por isso.

    Minha intenção, no grupo, é divulgar notícias, informações, tirar dúvidas jurídicas ou dar a minha opinião sobre a minha experiência, enquanto consultora jurídica e escritora do Blog maedecriancassuperdotadas.blogspot.com.

    Se você não estiver encontrando o grupo no facebook, peça para me adicionar como amiga, que eu te coloco no grupo, ok ?

    Abraços,

    Claudia Hakim

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