Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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terça-feira, 29 de maio de 2012

Amanhã vou à Brasília, em reunião com o Ministro do Supremo Tribunal Federal



Amanhã vou à Brasília, em reunião com o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, pedir agilização no julgamento de uma ação que está parada no Supremo há 5 anos, sobre a questão da idade /corte e o direito de progressão de série das crianças que têm aptidão psico pedagógica de progredir, mas, ficaram impedidas por conta das Deliberações dos Conselhos Nacional e Estaduais de Educação de alguns Estados, entre eles São Paulo. 




Entendo que o direito de progressão de uma criança que tem condições psico pedagógicas de cursar uma série, mas que foi impedida por ato de uma Deliberação do Conselho de Educação, tem muito a ver com o direito da criança superdotada que fica impedida de ser acelerada, por ato da diretoria de ensino / Conselho / Secretaria da Educação. E que, muitas crianças com altas habilidades / superdotação acabaram se prejudicando e tendo seus direito de progressão de série garantido, por força destas Deliberações Obsoletas e sem sentido dos Conselhos Nacional e Estaduais de Educação.





Graças a D´us, o Judiciário tem respeitado a capacidade psico pedagógica das crianças e entendido que o direito de acesso ao nível mais elevado de ensino, liberdade de aprender e da criança ter o pleno desenvolvimento de sua pessoa, bem como ter condições para a permanência na escola, e o direito à uam educação especial tem que ser respeitados. É esta a mensagem que pretendo passar amanhã para o Exmo. Sr. Dr. Ministro do STF !

PARTE 10 GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - Das várias formas de se acelerar o aluno



PARTE 10


GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - desenvolvendo o talento acadêmico, Rev. Educação Especial, vol 22, 35, p.281-298





Zenita C Guenther, Ph.D





5.2 – Da Entrada antecipada na escola




  
        Os limites de idade para matrícula escolar





Antecipação da idade determinada para uma criança iniciar um nível de escolarização é sem dúvida a modalidade de aceleração mais utilizada, mais estudada cientificamente, e que melhor resultados gerais indica trazer para alunos e famílias.





Para um sistema escolar instituir entrada antecipada, em qualquer nível, há que considerar duas vias principais de demanda: a) mudança de nível escolar para alunos já matriculados, ou seja, “aceleração” do tempo escolar, e b) entrada antes da idade oficial para alunos ainda não entronizados ao sistema, tais como imigrantes, famílias oriundas da outras regiões do país, estrangeiros que aqui vão viver por períodos de tempo, ou crianças e jovens que não se matricularam antes por pouca idade, ou por optar pela “escolarização em casa”, como vem acontecendo em vários lugares do mundo.






No inicio da educação infantil, ao nível de creche, não há idade mínima estabelecida, e existem creches que recebem bebês diretamente da maternidade, por decisão de pais ou autoridades. Mas, a partir da segunda etapa da educação infantil já se tem idade mínima determinada, 3 ou 4 anos. Para o ensino fundamental a barreira de idade para acesso é quase intransponível – 7 anos, (provavelmente um limite determinado pelo conceito de idade da razão, estabelecido pela Igreja); 6 anos, a princípio em paises de orientação não católica, hoje vigente na maioria dos paises; 5 anos em alguns paises de orientação ideológica muito pronunciada, como a Rússia.






Também não existe determinação de idade para o acesso aos níveis médio, superior e pós-graduação, mas todos estão de certa forma atrelados à idade cronológica por duas exigências: 1. comprovação de término do nível anterior, por documentos, que, 2. são emitidos com base em freqüência determinada por tempo letivo (anos, dias, horas-aula). No entanto, o tempo cronológico já demonstrou ser uma das variáveis de menor importância na vida das pessoas, totalmente lateral como indicação de produção escolar e mental, ritmo de trabalho, ou desenvolvimento geral, em qualquer faixa etária.






Ainda mais, a curva de desenvolvimento e produção mental no que diz respeito a ritmo e formas de expressão, se diferencia tão acentuadamente ao nível dos indivíduos, que mesmo medidas de QI perdem confiabilidade após a adolescência, pela impossibilidade de se estabelecer critérios defensáveis de “idade mental”, nas diferentes culturas e sub-culturas. Portanto excetuando a definição de idade de responsabilidade civil e criminal, atualmente sob uma enxurrada de crítica em todo o mundo... parece que escola, (mas não estudo), e emprego, (mas não trabalho), são as últimas instituições a se pautarem por limites mínimos e máximos de idade cronológica para acesso e desligamento.  






Aceito o argumento da pouca validade da idade cronológica como parâmetro de acesso aos níveis de escolarização, somos necessariamente levados a considerar outros critérios, mais confiáveis e defensáveis, para orientar a decisão de se inscrever um aluno em um, ou outro, nível de escolaridade.  





  - Antecipar entrada para o Jardim de Infância





Os critérios para decidir se uma criança de menos de 4 anos vai se beneficiar da experiência escolar no Jardim da Infância, vêm da própria criança, de como ela é, e não do que sabe, ou faz. O currículo de competências trabalhadas nessa fase remete-se ao desenvolvimento físico, mental e social da criança. Obviamente, tais critérios devem ser buscados na psicologia do desenvolvimento infantil, pelo exame de determinados sinais observáveis, se possível mensuráveis:amadurecimento físico e motor, que assegure independência e liberdade para atividade intencional, no contexto de grupos; acuidade sensorial e bom funcionamento dos órgãos de sentido; grau de maturação de processos mentais como linguagem e comunicação, alem de segurança, autonomia e capacidade de autodireção compatível com idade de 4-5 anos.





Outra vez, para se operacionalizar critérios qualitativos, todo o cuidado é necessário ao traduzir “conhecimento psicológico” em termos de situações e sinais visíveis, que possam ser captados pelo professor, ou adulto que convive com a criança, em um dia comum de vida escolar, por um período manejável de observação orientada.





- Acesso antecipado à 1ª. série Fundamental





Para entrada na 1ª. série fundamental, a maior linha de demarcação parece ser a leitura - (mas não leitura e escrita). Leitura é um processo de decodificação essencialmente mental, que pode ser adquirido antes da escrita por crianças intelectualmente dotadas; assim como a escrita pode vir antes da leitura para crianças com retardo mental (lembrem as cópias orgulhosamente feitas por excepcionais deficientes, incapazes de ler...). A escrita, por sua vez, é um processo essencialmente físico e motor, independente de dotação intelectual, resultado de amadurecimento físico do sistema muscular e ósseo, e coordenação de movimentos finos.






Os critérios para antecipação da entrada à 1ª série devem ser orientados principalmente por parâmetros de desenvolvimento mental. Pode-se tomar por base o grau de aquisição e desenvolvimento da leitura, abrangendo competências e saberes compatíveis com as aprendizagens a serem adquiridas na 1ª série, e idade mental de sete anos ou mais.





        - Acesso antecipado ao Ensino Médio





Para ingressar no nível médio não há uma idade mínima estabelecida, mas há exigência de finalização do nível fundamental, e pode-se prever essa antecipação de matrícula precedida por alguma medida situacional, como diplomação antecipada para a 8ª. série fundamental, discutida mais adiante.





        - Acesso antecipado ao nível superior





Da mesma forma, é necessário prever condições para diplomação antecipada do nível médio para assegurar o acesso à Universidade, alem de alteração de outras exigências em termos de exames vestibulares e medidas de seleção e classificação de novos alunos.  A entrada na Universidade ainda depende, entre nós, quase exclusivamente de exames vestibulares, apesar de implacável crítica documentada de que essa via impede ou dificulta acesso aos mais jovens e mais capazes, por uma razão ou outra.






Um aspecto muito sério, que não pode passar despercebido é que, ao se possibilitar aceleração em um nível, digamos no ensino fundamental, segue-se a necessidade de se pensar em toda a trajetória escolar do aluno, pois, pior que reter no tempo o desenvolvimento escolar e pessoal de uma criança ou jovem de capacidade elevada é interromper seu ritmo de trabalho, quando já estabelecido. Em qualquer hipótese, o passo mais importante e mais trabalhoso é, efetivamente, desenhar critérios confiáveis e plausíveis para se proceder à aceleração por antecipação de níveis, em um plano viável, congruente, e confiável a médio e longo prazo. 





 5.3 - Matricula simultânea





Uma das maneiras de se prover atenção a jovens mais capazes cuja produção escolar é notavelmente adiantada em comparação com a turma a que pertence, é permitir que o aluno seja matriculado em duas turmas diferentes, com currículos diferentes e horários diferentes, que, embora aumente o “dia letivo” para ele, em longo prazo encurta a trajetória escolar, e permite adiantar o projeto de vida. Esse tipo de aceleração é útil para estimular continuidade de estudos, especialmente ao final de um nível de ensino, quando aquele conteúdo está praticamente vencido pelo aluno, e o início do novo ciclo  é visto como um desafio.






Assim, desde a 4ª. série, os alunos que já adquiriram ou vencem rapidamente o conteúdo ensinado, e começam a mostrar tédio e desinteresse nas sessões de fixação e revisão, podem ser admitidos também à 5ª. serie, logo ao inicio do período letivo, o que acrescenta novidade e complexidade ao seu dia escolar.  Essa antecipação de estágios dentro de um nível escolar pode ser uma boa medida em alguns casos, porem, o mais praticado, por dar maior autonomia e independência ao aluno é a permissão para freqüentar dois níveis ao mesmo tempo, ou seja, a 8ª série e o 1º. ano médio, ou alunos ainda no 3º  médio regularmente inscritos à universidade.






Nesses casos, cada matrícula é praticada como um procedimento independente, segundo os regulamentos comuns da instituição e nível de ensino, sem introduzir adaptações ou concessões especiais, a não ser negociações que possam acontecer entre um, ou mais professores de disciplinas, e o próprio aluno. O aluno é recebido e tratado, em linhas gerais como um aluno comum, e a gerência de seu tempo, plano de estudos, e compromissos escolares ficam em grande parte sob seu controle e iniciativa, inclusive combinações com os professores e corpo técnico de cada escola. Vencidos os compromissos letivos para aquele ano, em cada turma ou nível, ele vai para frente em ambos, computando dois anos letivos ao invés de só um. Como regra geral essa matrícula especial é permitida em anos consecutivos, e a caminhada regular do aluno leva a terminar o nível anterior estando já à frente no nível seguinte.





Também é possível permitir-se matricula em duas séries consecutivas, no mesmo nível de ensino, por exemplo o aluno fazer ao mesmo tempo 1ª. e 2ª. série fundamental, o que na prática é mais fácil de gerir do que parece, ou simultaneamente freqüentar a 7ª e 8ª séries, desde que os horários sejam diferentes, o que às vezes implica envolvimento de duas escolas. Essa medida é também conhecida com o nome de Currículo Telescópico.





O plano de aceleração do trabalho pedagógico do aluno, obviamente tem que ser pensado e compartilhado por ambas as instituições que ele freqüenta. É preciso manter em mente que ele é uma pessoa inteira, um aluno único, embora esteja atuando em dois cenários relativamente independentes, não se trata de “duas individualidades” ou “dois alunos”. O termômetro para se averiguar resultados, ao longo do processo, focaliza as pistas dadas pelo aluno, em termos de satisfação, gosto, bom rendimento, interesse, envolvimento na vida escolar de ambas as turmas, sentindo-se efetivamente parte de cada uma delas. O resultado final esperado é diminuição do tempo escolar sem prejuízo para o conteúdo curricular, e com mais estimulação intelectual para o aluno.





 5.4 - Antecipação de diploma





Na mesma linha de pensamento inerente à aceleração, que busca dissociar tempo cronológico de tempo escolar, a antecipação de diploma diminui tempo letivo sem diminuir conteúdo curricular, para alunos que aprendem mais rápido e mais facilmente que os outros. Essa antecipação pode ser por todo um ano, por exemplo pela matricula simultânea na 7ª e 8ª série, ou pode ser por um semestre, em um currículo telescópico. A exigência básica é comprovação oficial de que o conteúdo do nível a que o aluno aspira ser diplomado foi satisfatoriamente vencido, com rendimento superior à média aceita para uma turma regular.






Um aluno pode ainda ter seu diploma antecipado por comprovação de resultado de estudo independente, paralelo, cursos optativos, tutoria, ou qualquer forma de estudos, sistematizados ou não, auto dirigidos ou orientados. Em qualquer situação, o que se exige é comprovação de que o conteúdo, em termos de conhecimento, competências e habilidades foi efetivamente adquirido, nos padrões do que é esperado naquele nível. A exigência de comprovação deve ser regulada pelo sistema, e tudo indica que a melhor alternativa é estabelecer um formato consistente de auferir crédito por meio de exames e provas, seguindo critérios regulares estabelecidos para a escola que vai conferir o diploma, em padrões de rendimento acima da média aceita para aquele nível.






Como medida geral, os alunos apropriadamente identificados para aceleração podem requerer exames para crédito destinado a antecipar o diploma, em uma época apropriadamente situada no ano escolar, por exemplo ao final de cada semestre.





 5.5 - Saltar séries e meias séries





Ao examinar as pesquisas em aceleração, especificamente sobre resistências, áreas sensíveis e temas que contra-indicam acelerar, havemos de notar que o centro da preocupação refere-se à modalidade em que a criança transita para uma turma mais adiantada na seriação escolar. A maior desconfiança é colocada em termos de a criança deixar para traz seus pares, passar a conviver com uma turma de crianças mais velhas que ela própria, não ser capaz de fazer novos amigos, ou perder parte da infância. Parece constante esse medo de que as crianças que saltam uma ou mais séries escolares vão “perder” os amigos e colegas da mesma idade, da turma anterior. A entrada antecipada não tem esse problema, porque ela integra uma turma inicial de colegas, embora mais velhos, mas que vão caminhar juntos na vida escolar.





Há outro lado nessa história: crianças altamente dotadas pensam em amigos como pessoas com quem compartilhar interesses, idéias e pensamentos, em uma idade em que as outras crianças ainda pensam em amigos somente como alguém com quem brincar. A maior parte dos alunos dotados intelectualmente não tem muitos amigos em sua própria faixa etária, pois tendem a apresentar maior maturidade emocional e social que eles, e relacionam-se melhor com adultos e crianças mais maduras, de várias idades.Assim sendo, uma criança nova acelerada para um grupo de outras crianças, cuja idade média é maior que a sua, pode ter ali uma oportunidade para efetivamente encontrar amigos, o que não estava conseguindo na turma anterior.





Quanto às criticas sobre a criança “perder partes da infância”, e ser forçada a estudar todo o tempo, seriam anuladas com melhoria nos planos pedagógicos e ampliação da rede de educação informal na escola, por várias vias, incluindo atividades lúdicas, jogos e lazer compatíveis com cada faixa de idade, em toda a trajetória escolar. Por que razão deve a escola agir como se o tempo de convivência informal, e agradável, alocado a atividades não estruturadas, deva ser parte do Jardim da Infância, e talvez 1ª e 2ª série fundamental, mas não da 5ª ou 6ª séries, ou ensino médio ?
 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre a Palestra que ministrei hoje sobre a Judicialização das Relações Escolares




Muito feliz ! Hoje, eu a Professora Sonia Aranha, e a colega e também advogada, Dra. Maria Carvalho, proferimos palestra no I Encontro sobre a Judicialização das Relações Escolares para cerca de 50 profissionais de escolas, todos interessados no fenômeno de como o Judiciário tem intervindo nas relações escolares.




Na minha palestra falei sobre os Mandados de Segurança, o que são, quais os direitos violados em caso de mandado de segurança de idade / série, entre outras coisas e ... aproveitei um pouquinho o espaço e a oportunidade, para falar da superdotação (não dava para perder esta oportunidade.. he he) e sobre as dificuldades que temos para regularizar, aqui em SP, a aceleração de série e como estou conseguindo resolver esta questão na Justiça e como o Judiciário tem recebido estas ações de maneira favorável. Fui muito bem recebida pelas escolas, que se interessaram bastante sobre o tema exposto.










 
Tempos modernos. Tempo de democracia e de acesso à informação.



Tempo de fazer o bom senso e o direito prevalecerem sobre as ordens sem fundamento jurídico impostas pelos Conselhos de Educação, Secretaria da Educação e Diretorias de Ensino ! 



É o direito prevalecendo sobre a ditadura.





PARTE 9 GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - Implementação da Aceleração de séries e Procedimentos



PARTE 9


GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - desenvolvendo o talento acadêmico, Rev. Educação Especial, vol 22, 35, p.281-298







 Zenita C Guenther, Ph.D




4. Implementação e procedimentos




O passo mais difícil ao se contemplar aceleração, como medida geral, em um sistema de educação, consiste menos em estabelecer uma política defensável, com base em conhecimento científico, adequada às necessidades locais, e mais em provocar mudança de atitude e revisão de crenças sedimentadas, nos vários grupos e níveis de decisão.





A começar pelos órgãos normativos e deliberativos, é importante que as pessoas que conduzem a política da educação tenham convicção de que essa medida vai trazer um bom encaminhamento para a melhoria do projeto educacional maior, mesmo que na prática atinja apenas uma minoria de alunos. Educadores, em todos os níveis, precisam sentir-se envolvidos, de maneira positiva, desde as primeiras discussões e decisões, pois qualquer tentativa de modificação em procedimentos tradicionais, firmados como comportamento comum, somente tem sucesso quando lança raízes no contexto da vivência escolar no dia a dia, tanto para alunos, como professores e administradores. Famílias, comunidade, imprensa, a população, enfim, todos certamente vão procurar saber, e precisam ser informados com precisão, concisão e o grau de profundidade que for aconselhável.





Temas relativos, por exemplo, a oportunidades curriculares, crenças populares e noções errôneas sobre dotação e talento, e até alguns pressupostos institucionais entranhados na burocracia do sistema e das escolas, encontram nesse momento uma oportunidade para serem arejados, discutidos, aperfeiçoados e modificados, no cenário geral. Estratégias de planejamento conjunto, que envolvem os responsáveis por traçar políticas públicas, profissionais da educação nas várias áreas, escolas, famílias, mesmo alunos, precisam ser discutidas e esclarecidas, principalmente quanto a opções de aceleração abertas a diferentes situações, delineadas em termos de princípios, condições, e orientação.





Esclarecimento e discussão acerca de detalhes técnicos da aceleração, tais como asdimensões de ritmo, visibilidade, grupo de pares, acesso, e tempo, devem ser compartilhados por todos os profissionais da educação, pois pode marcar um inicio na mudança de atitude, uma vez que respondem a muitas perguntas, algumas ainda não formuladas por pais e educadores:




Ritmo – o caminhar mais rápido ou mais lento do ensino define o grau de aceleração do conteúdo, e é nessa dimensão que se diferencia, na prática, um tipo de aceleração de outro. Alguns tipos de aceleração não representam qualquer interferência no trabalho escolar, por exemplo, crédito aferido por provas e exames. Na verdade algumas práticas expressam formas administrativas de se reconhecer aprendizagem que o aluno realizou sozinho, fora do espaço e tempo escolar. Outras, como compactação de currículo tem influência direta no ritmo de ensino e instrução recebida pelo aluno.





Visibilidade – as opções de aceleração variam pelo grau em que são visíveis no ambiente escolar, principalmente pelos pares etários, e a aceitação maior ou menor dessas opções pode depender da visibilidade que conseguirem alcançar. É a visibilidade da aceleração que geralmente levanta preocupação sobre os riscos corridos pelos alunos acelerados, ou impedidos de acelerar. Nessa dimensão, práticas tais como a entrada antecipada aos níveis adiantados, e saltar séries ou parte de séries são as mais salientes, ao passo que um curso feito fora da escola pode não chamar muita atenção.




Grupo de pares – o grau em que a aceleração resulta em separação dos pares etários é o aspecto mais questionado, e que maior preocupação traz aos pais, educadores e algumas vezes aos próprios alunos. Há pouca evidência empírica para apoiar a noção de que a separação do aluno dotado de sua turma de colegas de sala de aula, pode ser associada a dificuldades emocionais ou profissionais na vida escolar e adulta, mas a preocupação persiste, mais em termos de “crenças” e “atitudes” que fatos concretos e conhecimento cientifico.




Acesso– a variedade de ofertas e opções para vários tipos de aceleração, que estejam disponíveis e accessíveis aos alunos, nas diferentes comunidades e meios é enorme, e o tema deve ser considerado em termos do sistema educacional.




Tempo – a idade em que se permite acelerar pode trazer complicações adicionais. Saltar a 2ª. série fundamental pode ter conseqüências diferentes de uma entrada mais cedo na universidade. Intuitivamente pode-se suspeitar que a aceleração mais cedo na vida poderia acarretar uma mudança maior, mas com maior maleabilidade interna para o ajustamento da criança.Alguns estudos aconselham que mudanças drásticas sejam feitas aproveitando pausas e interrupções previstas no processo regular, como no final e inicio de ano letivo, ou de recessos e férias. Outra boa opção é saltar o último ano de um nível, como na passagem da 4ª. para a 5ª. série, saltar a 4a, ou de 8ª. série fundamental para 1º. ano médio ir diretamente da 7ª. série.





PARTE 8 GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - PARTE 8 GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar


PARTE 8


GUENTHER, Z. (2009) Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar - desenvolvendo o talento acadêmico, Rev. Educação Especial, vol 22, 35, p.281-298




Aceleração, ritmo de produção e trajetória escolar:
Desenvolvendo o talento acadêmico



 Zenita C Guenther, Ph.D



 PARTE 8



Em nossos meios tanto educacionais como jornalísticos, descrever crianças dotadas, (eles dizem superdotadas), por atributos e características não levanta grandes controvérsias, pois se limita a listar traços qualificativos e descrições que “se aplicam a uns mas não a outros alunos”, como dizem candidamente os próprios autores das listas. Entretanto, interpretar atributos (traços atribuíveis) em termos de situações concretas observáveis, produção mental, comportamentos e atitudes, não é uma temática pacífica, e exige extremo cuidado na comunicação, interpretação e adaptações.



3.4 - O fator “pessoal”


Muitos estudos demonstram que alunos mais capazes desenvolvendo o mesmo currículo que seus pares de capacidade média ficam entediados, e perdem o gosto por aprender (Templeton Report, 2004). Mas, a “vontade de aprender” através do estudo persistente e concentrado, tem que ser uma expressão de sentimentos e ação do próprio aluno, e não de observadores externos.




Em algumas modalidades a aceleração é essencialmente uma medida escolar voltada para interferir no ritmo de ensino dos conteúdos curriculares, mas, mesmo assim pode ter outras implicações na vida pessoal e esfera psicológica interna. Por essa e outras razões, a medida exige que o foco de atenção esteja na vida pessoal do aluno, em todas as dimensões e interações, e não só no que ele demonstra “saber” ou “fazer” na escola. Cada decisão deve ser abalizada por um estudo do aluno, tão completo quanto possível, abrangendo vários aspectos de sua vida e personalidade, e circunstâncias em que a aceleração pode ser aconselhada.




Alem do nível de desenvolvimento superior, no próprio grupo etário, Feldhusen (2002) indica outros aspectos a serem considerados na decisão sobre acelerar um aluno :     



        - desenvolvimento geral acima da média do grupo para o qual será acelerado;


        -    habilidades escolares acima da média do grupo ao qual irá pertencer ;


        - ausência de problemas sérios de ajustamento emocional e social;


        - maturidade e capacidade para trabalho independente;


        - capacidade de avaliar a própria produção de maneira realista;


        - livre de indevida pressão para avançar ;


        - livre de sofrer sensação de fracasso, se não for acelerado ;


        - boa expressão natural de sentimentos, inclusive quando concorda ou discorda;


    - capacidade para trabalhar sozinho, com responsabilidade e compromisso;


                 -   boas relações com adultos e crianças mais velhas.


          
Freeman, (1998), acrescenta certos cuidados referentes à situação e contexto:


        - Não deve existir qualquer pressão para acelerar ;


        - O aluno demonstra estar entre os 5% extremos em inteligência ;


        - O professor que recebe o aluno sente-se bem sobre o processo ;


        - Os pais sentem-se bem sobre a orientação geral do processo;


        - O aluno é efetivamente avançado no conteúdo curricular ;


        - O aluno é emocionalmente estável ;


        - O aluno entende o que está acontecendo ;


        - O aluno efetivamente quer ser acelerado.




Para alunos corretamente identificados, a aceleração tem efeitos benéficos que perduram no tempo, tanto na esfera escolar como social, e trazem imediata satisfação pessoal. Crianças intelectualmente dotadas tendem a ser social e emocionalmente mais maturas que seus pares etários, e sentem-se bem quando a aceleração provê convivência com colegas que já têm um maior grau de maturidade