A aceleração de série para alunos superdotados não pode ser tratada como regra automática, nem como exceção proibida. Ela exige critério, responsabilidade e, sobretudo, foco no desenvolvimento integral do aluno.
Uma entrevista recente do professor Dr. Pham Manh Hung, da Universidade Nacional do Vietnã, reflete de forma muito clara aquilo que também defendo há anos na análise jurídica e educacional da aceleração de série.
Segundo ele, o modelo escolar rigidamente baseado na idade ainda tem valor, mas falha quando ignora as diferenças reais entre os alunos. Quando todos aprendem no mesmo ritmo, alunos superdotados acabam subaproveitados, desmotivados e repetindo conteúdos já dominados, enquanto outros alunos ficam sobrecarregados e exaustos tentando acompanhar um ritmo que não respeita seu tempo de aprendizagem.
A aceleração, porém, não pode se basear apenas em desempenho acadêmico. Esse é um ponto central e extremamente relevante.
Pular séries implica um salto não apenas cognitivo, mas também social, emocional e psicológico. O aluno precisa lidar com colegas mais velhos, novas expectativas, maior pressão e diferentes dinâmicas sociais. Quando a decisão se baseia exclusivamente em notas ou testes, o risco de prejuízos emocionais e sociais é real.
Os critérios apontados pelo professor Hung são muito próximos daqueles que considero indispensáveis:
avaliação multidisciplinar, maturidade emocional, capacidade de autorregulação, motivação genuína para aprender, habilidades de integração social e acompanhamento contínuo. Não se trata de acelerar por status, desempenho ou expectativas adultas, mas por necessidade real de desenvolvimento.
Outro ponto fundamental é o sistema de apoio. A aceleração só faz sentido quando a escola está preparada para oferecer acompanhamento, orientação psicológica, mentoria e mecanismos de transição segura. Sem isso, o que deveria ser um caminho de desenvolvimento pode se transformar em fonte de sofrimento.
A fala final do professor é especialmente precisa: a aceleração é um caminho possível e legítimo, mas deve ser uma política condicional, criteriosa e bem monitorada. Sem critérios claros e sem suporte adequado, ela pode se tornar uma corrida por resultados e gerar distorções graves.
É exatamente por isso que, no Direito Educacional, a análise da aceleração de série deve sempre considerar o melhor interesse da criança e do adolescente, avaliando o contexto completo, e não apenas o desempenho acadêmico isolado.
A aceleração bem indicada protege o potencial.
A aceleração mal conduzida compromete o desenvolvimento.
Essa distinção faz toda a diferença.
https://www.vietnam.vn/pt/hoc-vuot-cap-khong-the-lam-theo-phong-trao

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