sexta-feira, 8 de maio de 2015

Inteligência e Teste de QI : estabilidade de uma X oscilações de outro e seus motivos

Pupils taking exams

A inteligência é bastante estável, segundo Robert Colom, em Introdução á Psicologia das Diferenças Individuais, Ed. Artmed, fls. 59. Segundo ele, é fácil acordar deprimido e, no dia seguinte, cheio de energia, mas acordar um dia com um quociente intelectual de 120 (superior) e no dia seguinte com um QI de 90 é algo que não acontece. A inteligência pessoal está relacionada com mais de 60 fenômenos sociais (alguns ex. são rendimento acadêmico, rendimento no trabalho, a saúde, a sensibilidade emocional, longevidade, a resposta à psicoterapia, vulnerabilidade à acidentes e o nível sócioeconõmico alcançado).

Os problemas nos testes de inteligência tentam ativar a inteligência que as pessoas utilizam em sua vida cotidiana. Os escores que os psicólogos atribuem às pessoas nos testes de QI NÃO ESTÃO LIVRES DE ERROS DE MEDIDA, as diferenças entre esses escores, EM MOMENTOS DIFERENTES, também não o estão (fls. 350 do referido livro, em artigo de autoria de Júlio Olea e Francisco José Abad, A medição das diferenças individuais).

Não descarto que mudanças em relação ao amadurecimento do corte pré frontal, à densidade das regiões cerebrais do córtex motor, do cerebelo, mas acho que isto demanda mais estudos específicos. Alguns estudos já indicam que o QI das crianças podem variar e por isso é recomendável que este seja medido, com mais precisão, a partir dos 7/8 anos. Por isso que dizemos que não é tão confiável medir o QI antes disso.

Fatores psicológicos ou até mesmo de transtornos não tratados ou tratados também podem influenciar (para mais ou para menos) na variação de resultados dos testes de QI.

Ademais, um psicólogo pode cometer certos erros de vieses , tanto na aplicação quanto na apuração dos resultados dos testes, quando realiza entrevistas de avaliação, ou quando faz valorações profissionais, a partir de dados obtidos mediante registros observacionais.

Quando o instrumento de avaliação é uma pessoa, podem produzir-se vieses como o de "efeito halo" (deixando-se levar por uma impressão global da pessoa que se está avaliando, e não tnto pela dimensao concreta de interesse), ou de "brandura-dureza", por tendência pessoal do avaliador de atribuir, de forma sistemática, notas altas ou baixas) ou de “tendência central" e outros derivados das expectativas e predisposições do avaliador (Flores-Mendoza e Colom, 2.006, Artmed). Eu mesma já recebi laudos de crianças que foram tidas como superdotadas num primeiro teste de QI e num segundo teste, realizado por outra profissional o QI da pessoa era de 115 (já vi isto acontecer mais de uma vez ") e a criança vinha apresentando dificuldades de aprendizagem, mas, o viés do profissional que aplicou o primeiro teste era para a SD, então, a tendência dela era supervalorizar determinadas respostas, atribuindo um falso resultado ao teste de QI.

Outro problema que pode entrar em colisão com a validade dos escores que proporciona um teste é que determinadas pessoas não respondem com veracidade, no momento da realização do teste. (Flores-Mendoza e Colom, 2.006, Artmed). Sabemos que as expectativas que uma pessoa tem sobre as consequencias de sua avaliação psicológica, em interação com determinadas tendências pessoas, podem levá-la a manifestar, em um teste, piores sintomas do que os que realmente tem ou respondendo aos itens sem prestar a devida atenção ao seu conteúdo (respostas aleatórias, tendência a dizer não, ou o contrário, aquiescência). Então, seriam respostas distorcidas dadas pelo paciente. Outros podem ir preparados para um treinamento específico que lhes permita obter um escore superior ao devido.


Enfim, são muitas as variáveis que podem gerar a variação de resultados em testes de QI, principalmente, na adolescência em que os jovens estão mais vulneráveis, com alterações hormonais e psicológicas também. Mas, o mais importante é que não devemos confundir resultados dos testes de QI com a inteligência, esta sim, estável.

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