segunda-feira, 6 de abril de 2015

Da periferia de SP, blogueiro do UOL passa em duas universidades nos EUA

Extraído do site : http://vestibular.uol.com.br/noticias/redacao/2015/03/23/da-periferia-de-sp-blogueiro-do-uol-passa-em-duas-universidades-dos-eua.htm


Izabelle Mundim 

Do UOL, em São Paulo
23/03/201506h02
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·         Reinaldo Canato/UOL

"Passamos no MIT!", assim Gustavo Torres da Silva, 17, dirigiu-se aos amigos do Capão Redondo, bairro da periferia da zona sul de São Paulo, nas redes sociais no último domingo (15), quando recebeu a confirmação de que havia sido admitido no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos. Ele, que tem umblog no UOL Educação, já havia recebido a resposta positiva em dezembro da também norte-americana Universidade Stanford, para cursar engenharia física.

"Deixei muito claro no meu application [carta de admissão] que eu vinha de condições que não tinham tantas oportunidades, mas que fiz o máximo para aproveitar as poucas que tive para crescer e acho que isso chamou a atenção", diz Gustavo, que ainda não decidiu em qual universidade vai estudar e aguarda até o fim de março a resposta de outras 10 instituições, dentre elas Harvard, Columbia, Duke, Cornell e Pennsylvania.
Ele ainda não recebeu a resposta oficial da Universidade de Columbia, mas foi convidado a conhecer a instituição com todas as despesas pagas. Ele pretende fazer engenharia elétrica e computação e tem até 1º de maio para se decidir.
Segundo Gustavo, o complexo processo seletivo para as universidades americanas incluiu algumas provas, redações sobre temas como "o que importa para você e por quê?", uma triagem de histórico escolar, cartas de recomendação, lista de conquistas acadêmicas e atividades extra-curriculares.
"Eles querem saber se o aluno é interessante para a faculdade, então vão olhar para toda a história dele para saber se tem feito a diferença nos ambientes por onde passa", diz.
No Brasil, passou na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).
Inspiração

Filho de um técnico em elétrica e de uma cuidadora de idosos, Gustavo afirma ter sido influenciado pelos pais a estudar.
"Liam gibis para mim e quando comecei a escola me davam muita atenção, perguntavam sobre as atividades, viam minhas provas e fizeram com que estudar se tornasse algo que eu gostava", diz.
Para chegar onde quase está, Gustavo também cita a importância da ex-professora Andreia Tulon, que notou o bom desempenho do estudante em uma olimpíada de matemática quando era aluno da 6ª série da Escola Estadual Miguel Munhoz Filho, no Capão. "Ela identificou o meu potencial e me inscreveu no processo seletivo para o Ismart [Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos]", conta.
Ismart/Divulgação
Gustavo Torres foi bolsista em um colégio particular de SP

O instituto, que apoia estudantes de baixa renda e oferece bolsas de estudo em colégios particulares de excelência de São Paulo e do Rio de Janeiro, concedeu a Gustavo uma bolsa no Colégio Santo Américo, onde fez um curso de transição da escola pública para a particular, estudou o ensino médio e conseguiu uma bolsa para estudar inglês.

Maratona

Gustavo intensificou os estudos nos últimos meses do 3º ano do ensino médio. De agosto a novembro do ano passado, acordava às 5h da manhã para ir para a escola, estudava por aplicativos de celular no ônibus e ficava na escola das 8h às 18h, estudando nos intervalos.
"Quando eu chegava em casa, estudava até de madrugada para acordar às 5h de novo", diz.
Apesar da rotina, Gustavo diz que pratica esportes, encontra os amigos e se dedica ao DSJ (Descobrindo o Sonho Jovem), projeto social fundado por ele e outro estudante do Ismart que também mora no Capão Redondo. "A gente que é de periferia muitas vezes não valoriza o potencial que tem. A ideia do projeto é incentivar outros jovens do Capão a sonhar mais", diz.
Gustavo Torres foi bolsista em um colégio particular de SP

Sonhos maiores
E o nome do projeto resume para ele a dica mais fundamental para alçar voos tão altos. "O mais importante é parar para reconhecer o que é importante para si. As faculdades lá fora querem descobrir se você tem alguma paixão, se você se envolve em algo e quer fazer a diferença no mundo", diz. "Na pior das hipóteses, se a pessoa não conseguir passar na faculdade que sonhou, pelo menos vai ter investido tempo em uma coisa que realmente gosta e que faz sentido para ela".
Gustavo viaja em agosto deste ano, e já projeta planos ainda maiores. "Quero criar uma empresa de tecnologia que possa melhorar a vida das pessoas e ter um impacto social muito grande", diz ele, que pretende voltar para o Brasil para concretizar o sonho.
Em seu blog no UOL, o estudante reúne todas as dicas para chegar lá.


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