segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Conheça a Síndrome de Irlen

Extraído dos sites : http://dislexiadeleitura.com.br/artigos.php?codigo=53  e 

https://www.youtube.com/watch?v=aOMS42kWRJ8


A Síndrome de Irlen (S.I.) é uma alteração visuoperceptual, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz que produz alterações no córtex visual e déficits na leitura. A Síndrome tem caráter hereditário e se manifesta sob maior demanda de atenção visual


Descrita em 1983 pela psicóloga Helen Irlen, a Síndrome tem como manifestações, além da fotofobiaproblemas na resolução viso-espacial, dificuldades na manutenção do foco, estresse visual, alteração na percepção de profundidade e cefaleias².

Durante a leitura, segundo pacientes, o brilho ou reflexo do papel branco contra o texto causam irritabilidade, assim como a luz natural ou fluorescente³. Eles possuem ainda sensação de movimentação das letras que “pulsam, tremem, vibram, confluem ou desaparecem”4 e a leitura passa a ser fragmentada. Além disso, queixam de insegurança ao dirigir, estacionar, com esportes com bola ou em outros movimentos, como descer e subir escadas rolantes.

A prevalência da S.I. é maior que a da própria Dislexia (estimada entre 3 a 6% da população), atingindo 12 a 14% de bons leitores e entre alunos com dificuldades de leitura, gira entre 17 e 46%.5 Como os sintomas podem ser semelhantes, o diagnóstico diferencial é indispensável para intervenção correta6. 


A dependência entre o ver e o aprender é estimada em 80% e hoje já se reconhecem os impactos dos
déficits de eficiência visual. Daí a importância do oftalmologista em buscar dados além da acuidade (visão de letrinhas) e condições ópticas, dando, em conjunto a outras áreas, suporte aos distúrbios de aprendizagem.

O rastreamento da S.I. é feito por profissionais da saúde e educação capacitados pelo Método Irlen, aplicado em mais de 40 países.7Através de intervenção não invasiva e de baixo custo, estes profissionais são capazes de potencializar os esforços acadêmicos. Atualmente existem 1.460 profissionais aptos ao rastreamento em 20 estados brasileiros, graças ao trabalho da Fundação Hospital de Olhos, através do “Projeto Bom Começo”, que acompanha a saúde visual e auditiva desde a pré-escola, buscando detectar e intervir precocemente, prevenindo perdas progressivas e assegurando o futuro escolar.


Os portadores da S.I. não têm consciência de suas distorções pois sempre as perceberam como “normalidade” – daí a frustração pela lentidão e esforço para uma atividade que aos demais é prazerosa e natural. É nesta situação, vale destacar, que se encontram milhares de candidatos ao ENEM, que terão o desempenho prejudicado pela exaustão decorrente da Síndrome.

A vantagem ? Se fizerem a intervenção, a pessoa neutraliza os efeitos que dificultam a aprendizagem e os incômodos que a Síndrome acarreta. Ao contrário da dislexia, que acompanhará a pessoa por toda a vida, sendo controlada com a intervenção, a Síndrome de Irlen tem tratamento e resolver o incômodo causado pela Síndrome com “overlays” e filtros de luminância.

Dra. Márcia Reis Guimarães


Referncias Bibliogrficas:

1- Irlen H. The Irlen Revolution. New York, Square One Publishers, 2010

2 - Irlen H. Reading by the colors. New York, The Berkley Publishing Group, 1991 

3 - Guimarães MR, Guimarães JR, Guimarães R et all. Selective spectral fiulters in the treatment of visually induced headaches and migraines: a clinical study of 93 patients. T 29. Headche Medicine, 1 (2): 72, 2010. 

4- Robinson ,G.L. and Miles,J. The use of colored overlays to improve visual processing – a preliminary survey. The Except.Child. 34, 65-70.1987. 



5 - Faria L N.Frequência da Sindrome de Meares-Irlen entre alunos com dificuldades de leitura observadas no contexto escolar. [Tese Mestrado]. Belo Horizonte:Universidade Federal de Minas Gerais, 2011.

6 - Tallal P. Auditory temporal perception, phonics and reading disabilities in children. Brain Lang, 9(2): 182-98,
1980.

7 - Ventura, LO; Travassos, SB; Da Silva, OA; Dolan, MA. Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem. Rio de Janeiro, Cultura Médica, Cap.18 p.159-174, 2011.

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