quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Escolas caras têm notas melhores no Enem, mas perfil do aluno contribui


Antes de fazer a matrícula, pais devem checar se a escola tem um quadro bom e estável de professores, atrai bons alunos, se encaixa no perfil da família e cabe no orçamento a longo prazo.

Esses elementos indicam se a instituição é a melhor para a criança, segundo educadores ouvidos pela Folha.

Cruzamento de dados obtidos pelo Datafolha em colégios privados de São Paulo com notas do Enem 2012 aponta que, em média, o desempenho é proporcional à faixa de mensalidade e à formação exigida do docente.

Assim, escolas mais caras tiveram notas maiores do que a média das de menor preço.

Turma de redação no colégio Agostiniano Mendel, na zona leste da capital
Turma de redação no colégio Agostiniano Mendel, na zona leste da capital

De acordo com o professor Naercio Menezes, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, isso se explica em parte porque crianças de famílias com renda maior tendem a ter pais mais escolarizados e com mais tempo para estimular os filhos.

Menezes também chama a atenção para o fato de que escolas que selecionam alunos por meio de preços altos e testes atraem os que já se sairiam bem, mesmo se estudassem em escolas mais baratas.

"A infraestrutura pode ajudar no desempenho dos alunos, com aulas de laboratório, por exemplo. Mas não é de extrema grandeza. O principal é um corpo docente de qualidade, organização das aulas, bons alunos e retorno da escola para os professores."

Antônio Augusto Gomes Batista, do Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária), alerta que o simples fato de ser particular não indica que a escola tenha qualidade.

Prédios inadequados, falta de espaços como biblioteca e gestão excessivamente familiar podem ser maus sinais.

"É melhor evitar escolas muito baratas, mas os pais podem buscar outras que, mesmo com uma mensalidade menor, ofereçam uma melhor qualidade de ensino. O cálculo que tem aí não é uma lei universal", explica.

NO BOLSO

Para William Eid, professor da FGV especializado em finanças pessoais, a escolha deve levar em conta o orçamento de longo prazo.

"Quando você coloca o filho numa escola, se compromete com um investimento por 13 a 14 anos", diz.

Como o preço da educação tem crescido mais rápido do que a inflação, os pais precisam ter expectativa de aumento, e não só de estabilidade de renda.

Ele também orienta a pesquisa por colégios com bom desempenho e preços menores. Na zona leste, o Agostiniano Mendel, por exemplo, tem mensalidade na faixa de R$ 1.500 e uma nota média no Enem comparável à de escolas que custam o dobro. 

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