quarta-feira, 6 de agosto de 2014

PRINCIPAIS MODELOS COGNITIVOS EM PACIENTES COM TEA



Dr. Walter Camargos, psiquiatra especializado em autismo, em seu livro, “Síndrome de Asperger e Outros Transtornos do Espectro do Autismo de Alto Funcionamento”, às fls. 161, aponta para três causas como sendo responsáveis pelas dificuldades sociais dos Aspergeres: Uma delas é a Fraca Coerência Central (FCC), mas, não necessariamente ocorre em todos. Outra delas é a fraca teoria da mente (ToM), mas, a mesma coisa se aplica (nem todos os Aspergeres apresentam fraca teoria da mente - ToM) e a outra é o Déficit das Funções Executivas (DFE).

O Dr. Walter Camargos considera o autismo uma síndrome bastante heterogênea. Acredita-se que, para cada sintoma comportamental existe uma ALTERAÇÃO COGNITIVA RESPONSÁVEL POR ESTE.

Os principais modelos cognitivos capazes de explicar alguns sintomas são estes 3 que eu citei acima (Fraca Coerência Central Fraca teoria da mente e o Déficit das Funções Executivas).

O Déficit das Funções Executivas é apurado através dos testes de QI. Ele também é responsável pelas disfunções executivas que causam severos prejuízos funcionais nascida dos indivíduos com TEA. Estes indivíduos (com DFE) não conseguem planejar adequadamente suas atividades, não conseguem organizar seu tempo, levando-os a ser mal sucedidos, até mesmo nos propósitos mais básicos. A falta de flexibilidade mental e o fraco controle inibitório os impedem de adequar seu comportamento à situações inesperadas no dia-a-dia, fazendo com que se desorganizem mentalmente e falhem em seus projetos, além de interferirem profundamente no relacionamento social destes indivíduos. Além disso, este comportamento impede que estes indivíduos alternem seu foco de atenção entre atividades distintas, levando-os a comportamentos perseverantes..

Felizmente, assim como na ToM, as Funções Executivas podem ser desenvolvidas com êxito, dentro de um ambiente terapêutico estruturado e alcançam um resultado bastante positivo, em indivíduos com TEA.

A capacidade de planejamento, a alternância atencional e o controle inibitório podem ser treinados sistematicamente, através de estratégias de “circuito de trabalho”, onde as atividades são alternadas entre si, fazendo com que o paciente se dedique a cada tarefa, durante um espaço de tempo limitado, e em seguida, passe para uma nova atividade, retornando posteriormente às atividades, anterior, em um grau um pouco mais avançado, até que o objetivo de todas as tarefas tenha sido cumprido.  O uso desta estratégia tem se mostrado muito eficiente no desenvolvimento das funções executivas, fazendo com que o paciente com transtornos executivos adquiram um maior controle inibitório sobre suas ações, mantenham a memória de trabalho atividade e consigam planejar e organizar melhor o seu tempo, em cada tarefa.

Ainda neste sentido, estratégias de auto monitoramento podem ser aprendidas, dando ao indivíduo com TEA autonomia para nortear o seu comportamento fora do consultório, em sua rotina diária. Por último, a colaboração dos pais e família é fator imprescindível para a evolução destes indivíduos, principalmente quando se trata de crianças.

Estes 03 modelos de comportamentos são independentes e complementares e interativos.Apesar de alguns estudos encontrarem correlação entre eles, outros estudos não encontram correlação.

Acredita-se que a TOM pode ser responsável por prejuízos na interação social e na comunicação ; a FCC, pode ser responsável por prejuízos na comunicação e pelas diferenças nas habilidades visuais e espaciais presentes na síndrome e o DFE são responsáveis pelo alto nível de rigidez , perseveração e a também pela elaboração de rituais ou dificuldades de lidar com mudanças na rotina.


É fantástico poder reuir todas essas características/informações funcionais, para compreender o ser humano com TEAAAF e assi promover um planejamento terapêutico, que seja o mais eficaz possível. Também é maravilhoso podermos aplicar esse conhecimento àqueles que apresentam estilos cognitivos diferentes, mas, que não apresentam sintomas de prejuízo na interação social (ou seja, que não possuem TEA).

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