terça-feira, 3 de setembro de 2013

Filhos superdotados: desafio em dobro



Em Curitiba, há cinco escolas estaduais que oferecem atendimento especializado
    

03/09/13 às 00:00 atualizado às 11:20 Por Ana Ehlert


Reunião de crianças superdotadas no Instituto de Educação Professor Erasmo Pilotto (foto: Valquir Aureliano)


Facilidade de aprendizado, vocabulário desenvolvido, comprometimento com as tarefas realizadas, habilidades gerais ou específicas e criatividade acima da média são as características de comportamento de uma criança com altas habilidades ou superdotada. De acordo com a Pedagoga e Doutora em Educação da Uninter, Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti, atualmente não se define uma criança de altas habilidades apenas pelo Quociente de Inteligênica (QI), mas por um comportamento que faz com que a criança de destaque das demais.


É muito comum que os pais que costumam ser chamados constantemente na escola, por conta de problemas com os filhos, acabem descobrindo que o seu filho é um superdotado”, comenta. “Como eles têm uma facilidade muito grande de aprendizado, em uma sala de aula comum, terminam as tarefas antes e, por isso, têm mais tempo livre para conversar ou questionar o professor tirando a concentração dos demais alunos”, explica.


No Paraná, 600 alunos são atendidos nas 55 salas de atendimento especializado para altas habilidades/superdotação distribuídas em 20 núcleos regionais, de acordo com os dados do Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional (Deein) da Secretaria de Estado da Educação (Seed). Porém, os especialistas em Educação Especial acreditam que o número é bem maior. A estimativa é baseada no indicador estatístico da Organização Mundial de Saúde que projeta entre 0,3% e 0,5% da população mundial com a inteligência acima da média.


“A superdotação da criança não se perde, mesmo que ela não tenha atendimento especializado, mas ela pode se direcionar por outros caminhos”, alerta André Ribas, psicólogo da equipe de profissionais que atua na sala especializada em atendimento de altas habilidades do Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto.


No espaço 80 alunos de idades variadas são atendidos, dos quais 60 têm laudo que comprovam a superdotação. Os demais se encontram em processo de avaliação da equipe. A equipe é formada por profissionais da área da Educação e de Psicologia da Uninter, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).



ATENDIMENTO DOS ALUNOS É FEITO EM GRUPOS

A sala de atendimento especializado em educação de crianças com altas habilidades trabalha com as crianças em grupo, no contra turno da escola regular. Paula Sakaguti explica que o objetivo é ensinar aos alunos com altas habilidades que eles precisam aprender a conviver com os diferentes. “Eles aprendem que precisam entender as dificuldades do outro, que precisam ser tolerantes e a ter paciência com os demais”, explica. Além destas questões, ela ressalta a lei da inclusão que não permite que um aluno seja retirado da sala de aula. “O maior desafio deles é aprender a conviver com os demais”, ressalta.


O local também oferece apoio à família dos superdotados. Segundo Paula, os pais de crianças superdotadas sentem-se isoladas e sozinhas. “Os problemas que esses pais enfrentam não são os mesmos dos demais pais e, quando eles tentam conversar com os demais, acabam às vezes sendo hostilizados porque os outros pais podem tratar o que ele chama de problema como uma forma de contar vantagem sobre a inteligência dos filhos”, comenta.


Paula acrescenta que os pais comumente têm medos e angustias por conta dos filhos.  Mas com os superdotados, esses medos e angustias acabam ficando ainda maiores. “Os desafios dos filhos é ainda maior e eles se sentem impotentes diante dos questionamentos constantes das crianças”, explica.


Andressa Meyer, mãe de Pedro Meyer Groff, de 8 anos, descreve muito bem esse sentimento. “É uma pressão constante, o tempo todo, sem descanso, às vezes você se sente esmagado”, afirma. Ela conta que quando descobriu que o filho era superdotado foi um grande alívio e uma alegria imensa. “Em menor ou maior grau, os pais sempre se realizam também por meio dos filhos e quando você descobre que seu filho é superdotado, acredito que é a mesma felicidade que você sente quando seu filho passa no vestibular, foi assim que me senti”, relata.


No entanto, Andressa conta um episódio na escola que demonstra a angustia que vive. O filho sempre foi bem na escola e, depois do Pedro apresentar problemas com inglês, ela foi conversar com a professora. “Ela achava que o problema era com ela”, conta. “Foi ai que eu conversando com a professora percebi que o Pedro, para disfarçar a sua dificuldade, tinha dado uma volta nela, através da alta capacidade de argumentação e persuasão”, diz. Ela relata que esse é o maior desafio que enfrenta com Pedro. “Você tem de estar o tempo todo super antenado e isso é muito desgastante, exaustivo psicologicamente, cansativo mesmo”, desabafa.


MENINAS SE ESCONDEM MAIS QUE MENINOS

O pai de Rafael Pacheco, 12 anos, Nelson Pacheco, conta que aos 3 anos ele aprendeu a ler sozinho, mas que na escola sempre teve muita dificuldade de registrar. A principal dificuldade que enfrenta é com relação à internet. “Esses dias pegamos ele conversando com uma menina mais velha, por isso, aumentamos a vigília e tentamos conversar com ele sobre isso”, conta.


Já a única menina do grupo Evellyn Santos Duarte, de 9 anos, é o orgulho do pai Carlos Eduardo Duarte. Ele conta que ela sempre foi super desenvolvida em tudo, sempre com ótimas notas, até que a professora da escola onde ela estuda em Campo Largo começou a notar algumas características nela de superdotação. “Ela veio falar comigo e aí fomos atrás e acabamos confirmando que ela tem altas habilidades”, conta. “Mas apesar dela ser bastante estudiosa e dedicada, temos de levar ela ali, com bastante disciplina, porque do contrário fica muito difícil. Apesar da inteligência dela, ela é uma criança e por isso têm horários e rotina”, explica.


Paula Sakaguti explica que apenas dois terços das crianças atendidas são meninas. “Mas isso não quer dizer que a superdotação seja uma característica masculina. É apenas fruto da educação que ensina as meninas a ficarem quietas em seu cantinho e aos meninos a se mostrarem”, explica. Ela relata que esta característica do comportamento dos gêneros é um ponto que dificulta a identificação de meninas superdotadas.



ATENDIMENTO

Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto
Rua Emiliano Perneta, 92 - Centro - Curitiba/Paraná

Colégio Estadual Jayme Canet
Rua Ana Aparecida Lopos Canet, s/n - Xaxim - Curitiba/Paraná

Colégio Estadual Professor Brasílio Vicente de Castro
Rua Santa Angela de Foligno, 45 - Cidade Industrial - Curitiba / PR

Colégio Estadual Loureiro Fernandes
Rua Marechal Mallet, 540   Ahú - Curitiba/Paraná

Colégio Estadual Julio Mesquita
Rua Maria Theodora de Paula Costa, 49 - Bairro: Jardim das Américas - Curitiba/Paraná


MAIORES INFORMAÇÕES DOS NRE'S

N.R.E. Curitiba

Rua Inácio Lustosa, 700. São Francisco - 80.510-000
Curitiba - PR | (0xx41) 3901-2852 FAX (0xx41) 3901-2847


N.R.E. A. Metropolitana Sul
Rua Isaías Regis de Miranda, 3000 Boqueirão - 81670-070
Curitiba - PR | (0xx41) 3277-7550 FAX (0xx41) 3277-7588


N.R.E. A. Metropolitana Norte

Rua Maximo João Kopp, 274 - Bloco 4. Santa Cândida - 82.630-900
Curitiba - PR | (0xx41) 3251-6502 FAX: (0xx41) 3251-6545

Nenhum comentário:

Postar um comentário