quarta-feira, 5 de junho de 2013

A difícil escolha da escola certa para os nossos filhos !

Escola


Hora da decisão 


Com tantas opções entre filosofias de ensino, tamanhos e grades curriculares, é difícil mesmo escolher a escola dos filhos. Super-responsabilidade!



POR MEL MANSUR, FILHA DE LEILA E SERGIO


Quando a gente matricula o filho na escolinha, está dando a ela um voto de confiança. A gente espera que lá eles sejam capazes de dar conta de ensinar uma certa carga básica de conhecimento e, mais do que isso, incentivá-lo a ter atitudes e hábitos construtivos que ele provavelmente jamais se esquecerá. É principalmente na escola que a criança desenvolve a visão que terá do mundo e da sociedade – hoje e no futuro.


No Brasil, há 50 anos as escolas eram muito parecidas, sendo poucas as que se diferenciavam por adotar algum método de ensino alternativo. Mas, ao longo desse tempo, o ensino no País passou por uma grande transformação. Instituições antigas reformularam seus conceitos de ensino, metodologia e até a relação com os alunos, e muitas novas surgiram com propostas sedutoras que nunca tínhamos ouvido falar. Pra te dar uma mão no que ficar atento nessa escolha, buscamos a opinião de especialistas no assunto e elaboramos um roteiro do que priorizar na hora de decidir.


Espaço físico e higiene


Escolas com áreas verdes e bastante espaço para recreação costumam ser as mais atrativas, afinal, todo pai quer que a criança use o corpo, tenha contato com a natureza, ouça música, faça artes. Mas antes de se deixar seduzir pela aparência, fique atento para a integração entre os alunos e professores e para as atividades que eles, de fato, realizam. A pedagoga Maria Irene Maluf, mãe de Maria Fernanda e Maria Paula, especialista em Educação Especial e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, avisa que não adianta nada a escola ser linda e maravilhosa, se o clima lá não é bom. “A relação que os profissionais têm com as crianças, e estas entre si, é muito mais importante do que o espaço físico”, diz. “Além disso, muitas têm uma ótima estrutura, mas quase não a usam.”


Já a higiene é um item imprescindível. Quando visitar o local, vale a pena olhar bem os banheiros e conhecer a cozinha, se tiver. Observe também a limpeza do pátio e das salas. Decidir a escola é como comprar um apartamento, você precisa ir até lá, conhecer o ambiente, visitar em horários diferentes, ver onde bate sol, como é a entrada e saída de pessoas, a vizinhança... Não adianta marcar uma reunião com a orientadora e já decidir. O melhor é aparecer no lugar de surpresa pra ver sua realidade no dia-a-dia.


A primeira coisa que deve ser avaliada é se os profissionais seguem ou não a linha de ensino proposta pela escola. Tente entender qual é o método utilizado e se é posto em prática ou fica só na teoria. Um jeito de verificar isso é fazer perguntas estratégicas a pais de alunos que estudam ali. Muitas escolas se dizem seguidoras de modelos pré-estabelecidos, mas na prática a coisa acaba sendo meio bagunçada. É interessante também se interar se naquela instituição há muita rotatividade de profissionais. Isso pode ser um indício de más condições de trabalho, o que muitas vezes reflete no desempenho do professor.


Idade não conta


Alguns pais tendem a dar preferência a profissionais mais jovens, mas isso não é garantia de mais paciência e dinamismo. “Mulheres mais velhas, com bastante experiência em escola, às vezes têm até mais disposição com as crianças”, diz Maria Irene Maluf. Portanto, não tenha preconceito. O grande lance é conhecer o ambiente e ver se você e, principalmente, a criança se sentem confortáveis e acolhidos.


A linha pedagógica é o aspecto mais importante que você deve avaliar. Se fôssemos descrever aqui todas as que existem, gastaríamos uma revista inteira e ainda assim não seria suficiente. Por isso, organizamos uma lista com as mais utilizadas (Veja no final dessa matéria).


Antes de tudo, a escola precisa ter uma linguagem semelhante a que os pais usam em casa. “Não adianta nada colocar a criança numa escola antroposófica, se tudo o que a família faz vai contra essa filosofia”, diz a psicóloga Renata Horschutz, mãe de Daniela e André. Para o filho ficar bem, é preciso haver coerência entre a forma como ele é educado em casa e na escola. Outra coisa: tem de ficar esperto se a instituição segue mesmo o método ao qual se propõe, como foi dito acima. Segundo Maria Ângela Barbato Carneiro, filha de Rosina e Luís, professora da disciplina de Políticas de Educação Infantil da PUC-SP, atualmente são poucas as que realmente o fazem.


Desde que a educação infantil passou a fazer parte da educação básica, em 1996, ganhou ainda mais atenção por parte das famílias. Hoje, sabemos que ela é muito mais do que fazer pinturas ou brincar com os coleguinhas.


Platão já dizia que temos até os 7 anos para estruturar o caráter de uma pessoa e a vida inteira para o conhecimento. “Se a criança desenvolver uma boa auto-estima e confiança nesta primeira etapa do crescimento, existe uma possibilidade muito maior de, no futuro, ela lidar melhor com os desafios da vida e com o processo de aquisição cultural”, explica Renata Horschutz.


Escola bilíngüe e internacional


Muita gente confunde as duas. A escola bilíngüe é aquela que normalmente segue o sistema de ensino brasileiro e o aluno tem aulas em dois idiomas (português e outro). Em algumas, a carga horária é maior.


Já as escolas internacionais seguem o sistema de ensino do país ao qual correspondem – muitas vezes, o método é completamente diferente do nosso. Essas instituições surgiram por causa da necessidade de educação de algumas famílias estrangeiras morando no Brasil. Porém, não são exclusivas para elas. A escola Graded, em São Paulo, por exemplo, é de origem americana. Lá a grade curricular é a mesma utilizada nos Estados Unidos e muitos alunos quando terminam vão estudar fora do País. No entanto, além de português, dá aulas de literatura, história e geografia brasileiras.


Os dois modelos costumam gerar polêmica entre os especialistas. Alguns acreditam que a aprendizagem simultânea e precoce dos dois idiomas pode causar problemas na alfabetização, enquanto outros não vêem como isso pode ser prejudicial.


Quanto antes melhor


Segundo a psicopedagoga Maria Irene Maluf, se a criança não tiver predisposição para problemas  de linguagem, como dislexia, colocar o filho em alguma dessas escolas não gera problema. Irene explica que, antes de começarem a falar, as crianças emitem sons que são utilizados em quase todas a línguas. Se você comparar os sons de um bebê alemão e um brasileiro, por exemplo, não perceberá diferença. O que acontece é que a criança se espelha no idioma dos pais, obviamente, e acaba se esquecendo dos sons que antes conseguia fazer. Portanto, se o seu objetivo é que o seu filho aprenda a falar fluentemente uma segunda língua, o melhor é colocá-la em contato com esta o quanto antes.


A educadora Sherry McClelland, diretora de currículo da Graded, afirma que poucos dos seus alunos apresentam dificuldades. “Tentamos alfabetizar uma língua por vez. Se a família der uma base em português e a gente ensinar o inglês, a criança se desenvolve nas duas línguas”, explica.


SEGURO EDUCACIONAL


COMO FUNCIONA?


Com a economia do jeito que está, a gente fica apreensivo sobre até quando vamos conseguir pagar bons estudos pro filho. Esperamos que, pelo menos, até a faculdade. Mas, como a coisa não anda nada bem, de uns tempos pra cá vários bancos passaram a oferecer seguros educacionais, que são parecidos com seguro de carro e plano de previdência privada, mas têm como objetivo garantir a educação da criança no futuro. A maioria deles funciona assim: você paga uma taxa mensal (que varia de R$ 12 a R$ 70) e, no caso de imprevistos como desemprego e falecimento dos responsáveis, ele arca com os estudos do dependente. Há também um tipo de seguro educacional que garante a faculdade da criança. Existem várias modalidades de acordo com o banco e a forma de contrato estabelecida, mas em geral funciona da seguinte forma: você paga um valor fixo por mês (que vai de R$ 25 a R$ 300, dependendo do plano) e, quando chegar ao fim do contrato, retira o dinheiro também em parcelas mensais, durante alguns anos, ou de uma vez, se quiser. Na Caixa Econômica, por exemplo, se você investir R$ 100 por mês num seguro educacional para o seu filho de 3 anos, a partir dos 21 ele receberá o valor de R$ 938, mensalmente, por cinco anos. Quase todos os bancos hoje em dia oferecem planos como esses, se informe no seu e nos outros para ver qual atende melhor suas expectativas.



LINHAS PEDAGÓGICAS


Saiba como funcionam as mais usadas


WALDORF 


A pedagogia Waldorf foi criada pelo cientista e filósofo austríaco Rudolf Steiner e é hoje adotada por cerca de 800 escolas em todo o mundo, sendo 52 delas no Brasil. Além das matérias tradicionais, a grade curricular traz atividades lúdicas, como horticultura, música e marcenaria, cada qual levando em consideração a fase de desenvolvimento da criança. O método se baseia numa antiga teoria grega de que a vida humana está dividida em dez períodos de sete anos. Parte-se do princípio que, quando freqüenta a escola, o indivíduo vive os três setênios iniciais (0 a 7, 7 a 14 e 14 a 21 anos). Segundo esta linha, não é aconselhável alfabetizar a criança no primeiro setênio, pois é a fase em que ela precisa dedicar seus esforços ao desenvolvimento das habilidades corporais.


MONTESSORIANA


Quem idealizou foi a médica italiana Maria Montessori, que, baseada nos estudos dos pedagogos Edouard Séguin, Ovide Decroly, Jean Itard e Froebel, desenvolveu um método cujo objetivo é exercitar a harmonização do corpo, do espírito, da inteligência e da vontade das crianças, principalmente na educação infantil. A professora se coloca como uma orientadora que analisa e dá apoio às dificuldades de cada aluno. As crianças se sentam em círculo e podem andar pela sala, onde têm a liberdade de escolher o material a ser utilizado e desenvolver suas atividades sozinhas. As propostas de Maria Montessori foram adotadas em vários países europeus, americanos e do oriente, principalmente na Índia, onde ela viveu.


CONSTRUTIVISTA


Foi criada pelo suíço Jean Piaget, psicólogo e filósofo que viveu no século 20. Sua idéia é que as crianças devem ser capacitadas para que possam construir o próprio conhecimento, a partir de informações que já dominam. Por isso, mantém- se o aluno em contato com a realidade e é por meio dela que acontecem os estudos. Presume-se que, dessa forma, a criança crescerá com mais senso crítico e capacidade de aquisição de conhecimento. No Brasil, na última década, houve um grande aumento no número de escolas construtivistas.


TRADICIONAL


É a mais conhecida e foi fundamentada, em especial, nas idéias sobre educação do filósofo Hegel, nascido no século 18. Ele acreditava que a escola é como uma agência cultural, um espaço no qual se deve ensinar conhecimentos acumulados por meio de várias gerações. Na época, foi uma revolução, pois o acesso à informação aumentou. O conhecimento é transmitido por meio de exposição oral e, para ver se o aluno assimilou, é feita uma avaliação. Há bastante rigidez e disciplina.


RENOVADA


Os alunos têm bastante liberdade e a autoridade do professor não é absoluta. São os alunos que escolhem como irão aprender determinado assunto e os profissionais estão ali apenas para facilitar o processo. Uma das mais conhecidas é a escola britânica Summerhill, fundada pelo educador e jornalista Alexander Sutherland Neill em 1921. Lá, ascrianças podem decidir quando, como e o que querem estudar.


PARA SABER MAIS

CONVERSAS COM QUEM GOSTA DE APRENDER
de Samuel Lago.


A obra reúne uma série de fascículos sobre educação publicados em 2004 no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba. Samuel fala sobre os problemas do ensino no Brasil, os livros didáticos, valores que a escola pode ensinar, “desaprendizagens” do professor, a pirâmide da aprendizagem etc.

Ed. Positivo, R$ 19,90. www.editorapositivo.com.br



CONVERSAS SOBRE EDUCAÇÃO de Rubem Alves.


São textos que discutem a missão do sistema educacional de um país. Segundo ele, é principalmente formar um povo para sonhar e promover a evolução da sociedade. O pedagogo questiona o futuro da instituição escola e destaca que o saber só é absorvido quando temos fascínio pelas coisas que nos cercam.
Verus Editora, R$ 20,90. www.veruseditora.com.br


ESCOLA SEM CONFLITO: PARCERIA COM OS PAIS de Tânia Zagury. 


É uma espécie de guia para os pais usarem na hora de escolher a escola do filho. Tânia, que usa uma linguagem clara e coloquial, explica modelos curriculares, linhas pedagógicas, o que observar ao visitar a escola, riscos e vantagens de ingressar muito cedo, entre outros assuntos.
Ed. Record, R$ 26,90. www.record.com.br


CONSULTORIA

Maria Ângela B. Carneiro, professora de Políticas de Educação Infantil da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
Tel. (11) 3865-6551


Maria Irene Maluf, especialista em Educação Especial e em psicopedagogia, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Tel. (11) 3085-7567


Renata Whitaker Horschutz, psicóloga membro trainee da Associação Junguiana do Brasil (AJB). Tel. (11) 3284-2568


Sherry McClelland, diretora de currículo da Graded School. Tel. (11) 3747-4814


Silvia Amaral, psicopedagoga e coordenadora do CAD (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento). Tel. (11) 3816-8247


Tânia Zagury, filósofa, mestre em educação, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e autora do livro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. Tel.
(21) 2256-0856


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