quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Favorito a "Nobel": País prefere engenheiros a pesquisadores

Preparação de gênios





Da escola pública a Harvard : 


Olimpíadas mudam destinos de campeões


Angela Chagas


No dia em que são abertas as inscrições para a maior olimpíada científica do País, com a participação esperada de mais de 20 milhões de estudantes de escolas públicas, o Terra conta a história de meninos e meninas que tiveram suas vidas transformadas após a participação nas competições de matemática, química, física, biologia, computação...



Tábata Pontes era aluna de uma escola pública do subúrbio de São Paulo quando participou da primeira edição da Olimpíada de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Hoje ela estuda na universidade americana de Harvard. Gustavo Haddad Braga ganhou 50 medalhas em competições científicas, e agora é aluno do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Artur Ávila, brasileiro considerado um dos favoritos a receber a Medalha Fields - uma espécie de Nobel da matemática - descobriu a paixão pelos números após participar das competições olímpicas no Brasil e no exterior.



Conheça a seguir a história desses campeões e a opinião de especialistas sobre a importância das competições científicas para revelar novos talentos, jovens que num futuro bem próximo podem alavancar a pesquisa no Brasil e inspirar mudanças no modelo de ensino.
Olimpíadas evitam 'desperdício' de gênios brasileiros, diz o professor.




Colégio Objetivo, de São Paulo, oferece bolsas para estudantes que se destacam nas olimpíadas científicas. Em 13 anos, escola contabiliza mais de 3 mil medalhas



Marina Novaes



Direto de São Paulo



Entusiasta das olimpíadas internacionais de educação, o professor de física Ronaldo Fogo, do colégio Objetivo, é enfático ao defender a participação dos alunos brasileiros na competição. Para o educador, que é um dos coordenadores das turmas olímpicas da instituição e há anos é um dos líderes das delegações classificadas para a Olimpíada Internacional Júnior de Ciências (IJSO, na sigla em inglês), os torneios não só estimulam o aprendizado dos chamados estudantes de "alta performance" - ou superdotados -, como também evitam o "desperdício" de talentos no País.




"Se não fossem as olimpíadas científicas, provavelmente os alunos que têm alto desempenho e habilidades, como o Matheus (Camacho, estudante paulistano que conquistou medalha de ouro na IJSO de 2012 aos 14 anos) passariam o ensino fundamental e médio praticamente 'despercebidos'.
Eu creio que teríamos uma geração 'desperdiçada', porque só iríamos descobrir eventualmente um grande talento no final do curso universitário ou ainda em uma pós-graduação.




Mas com essas competições, temos conseguido identificar esses talentos de maneira bastante precoce", afirmou Fogo, que é um dos responsáveis pela capacitação dos alunos interessados em participar de torneios como esse.




De acordo com o professor, sem o "estímulo" da competição, muitos alunos de alta performance perdem o ânimo de frequentar as aulas tradicionais, por considerá-las muito fáceis. Foi o caso do estudante paulistano Matheus Camacho, que conquistou uma medalha de ouro em equipe na prova experimental da olimpíada científica, no Irã, mas que antes de "estrear" nos torneios não aparentava estar desanimado com a "falta de desafios" no dia-a-dia. Interessado em competir, Matheus se inscreveu por conta própria em um processo seletivo por uma bolsa de estudos no colégio, onde passou a se dedicar à busca por medalhas.




"Se não fossem as olimpíadas científicas, provavelmente os alunos que têm alto desempenho e habilidades passariam o ensino fundamental e médio praticamente 'despercebidos”.




"Nós começamos a trabalhar com um projeto olímpico em 2001, quando foi elaborada uma grade específica de aulas dedicadas a estudos avançados das disciplinas.
No começo, tínhamos 4 a 5 alunos. Hoje, só em física são mais 100 estudantes (em São Paulo). Percebemos que os alunos de alta performance precisam ser estimulados", explicou Fogo. Entre 1999 e 2012, os estudantes do Objetivo conquistaram ao menos 3.184 medalhas em olimpíadas nacionais e internacionais. 



"Olheiros"


Outra vantagem é a importância que renomadas instituições de ensino de vários países dão às competições. Só a participação em uma olimpíada internacional de educação já se torna um diferencial para os alunos que almejam estudar no exterior. "Conta muitos pontos. Participar e se destacar nas olimpíadas internacionais são importantes 'cartões de visitas' dos alunos que queiram concorrer a uma bolsa de estudo nas universidades que são referência em ciências", ressaltou. 




De olho em futuros candidatos para o Prêmio Nobel, muitas universidades internacionais têm enviado "olheiros" para identificar os talentos revelados pelas olimpíadas científicas e atrai-los para seus campus o quanto antes. "Universidades americanas, como Harvard e MIT (Massachusetts Institute of Technology), algumas instituições inglesas e de países asiáticos costumam mandar 'olheiros' para esses torneios, (...) e lá mesmo convidam os competidores que se destacaram para conhecer suas instalações. (...) A captação de talentos é muito importante mundialmente", disse. 



Embora o processo de seleção para estudar nas universidades públicas brasileiras seja bem diferente do sistema adotado por outros países, o Brasil dá sinais de que despertou para a importância de identificar o quanto antes esses talentos. Em 2008, o Ministério da Educação (MEC) criou o projeto de criação dos Núcleos de Atividades de Altas Habilidades (NAAHs), com o objetivo de ajudar a desenvolver os alunos superdotados. Já em agosto do ano passado, a Secretaria de Educação de São Paulo publicou uma portaria estabelecendo uma política pública para o atendimento de estudantes com superdotação.
No caso paulista, um dos objetivos é desburocratizar o processo de aceleração de estudos para alunos superdotados, que hoje precisam recorrer à Justiça para avançar de ano no ensino fundamental e médio.



Nenhum comentário:

Postar um comentário