quarta-feira, 11 de março de 2015

A INTELIGÊNCIA COMO CRITÉRIO PARA A ESCOLHA DO PARCEIRO

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Recentemente, realizou-se na Espanha, um estudo sobre os critérios psicológicos que regem a escolha de um parceiro (Colom, Aluja e García-López, 2.002), ou seja, investigaram-se quais são as semelhanças psicológicas entre os membros de um casal.

Para começar, seria razoável pensar que a personalidade dos membros de um casal deve ser compatível. Uma pessoa emocionalmente estável não conviverá bem com um companheiro instável. Uma pessoa introvertida terá frequentes problemas ao conviver com um extrovertido que adora ter a casa cheia de gente e frequentar festas barulhentas até altas horas da madrugada. Uma pessoa que não se compromete emocionalmente com certeza terá problemas para consolidar uma relação, mas, supondo que o faça, não gostará que seu par seja muito “apegado ou dependente”.

Contudo, essas predições podem estar erradas. Pode acontecer que uma pessoa estável complemente alguém instável, que a extrovertida complementa a introvertida, ou que a dependente complementa outra com dificuldades para estabelecer compromissos. O que acontece quando se estuda essa questão?

Na pesquisa desenvolvida na Espanha, foram estudados quase 350 casais com idades entre 34 e 77 anos. Os resultados revelaram que não havia semelhança em extroversão ou instabilidade emocional. Uma pessoa extrovertida podia, aleatoriamente, formar um par com outra extrovertida, com uma pessoa ambivertida ou com uma introvertida. Acontece exatamente a mesma coisa no caso de instabilidade emocional. Contudo, constatou-se uma afinidade de 20% no item desapego emocional.

O que tem a ver a extroversão, a instabilidade emocional e o desapego com a inteligência ?  Na verdade, não existe relação alguma. O aspecto relevante desse estudo é que também foi pesquisado se existia semelhança entre o nível de inteligência dos membros dos casais avaliados.

Qual é o seu prognóstico ? Pensa que haverá semelhança entre os membros do casal quanto ao nível de inteligência ? Pois a verdade é que o estudo revelou uma semelhança de 50% no nível de inteligência dos membros do casal, quase três vezes mais do que a semelhança observada em desapego emocional. Deste modo, conclui-se que os membros do casal são parecidos em seu nível de inteligência e que o são de maneira altamente significativa. Essa semelhança é resultado de os membros do casal possuírem um nível de ensino similar ? Não. As análises estatísticas realizadas permitiram descartar essas possibilidade, e o que se pode afirmar é que os membros do casal são genuinamente parecidos em seu nível de inteligência.

A semelhança observada quanto ao nível de inteligência foi calculada a partir dos escores obtidos pelos membros dos casais em um teste-padrão de inteligência, cuja aplicação levou apenas meia hora. Contudo, podemos ter certeza de que, quando essas pessoas decidiram formar um casal, consideraram cuidadosamente as qualidades do outro, mas não lhe pediram para resolver um teste de inteligência. Deixaram de aplica um teste de inteligência a seu potencial companheiro, mas certamente observaram nele qualidades que revelavam, de algum modo bastante visível, o nível de inteligência que, anos depois, o teste revelou. Esse fato acrescenta força àquilo que comentávamos anteriormente : as qualidade que as pessoas consideram relevantes ao avaliar a inteligência estão relacionadas com as atividades que devem ser realizadas para resolver um teste de inteligência. Por conseguinte, o quepensam e dizem as pessoas sobre inteligência é muito parecido com aquilo que os psicólogos consideram que deve ser avaliado por um teste desse tipo.

Extraído do livro Carmem Flores-Mendonza e Roberto Colom, em "Introdução à Psicologia das Diferenças Individuais", Editora Artmed, fls. 63/64. 

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