sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Otites frequentes durante os primeiros anos de vida estão geralmente associados ao Déficit do Processamento


 A maioria dos pais quando se defronta com uma criança com perturbação do processamento auditivo relata um discurso comum: “o meu filho parece que não escuta embora tenha tido um exame audiológico normal”; "o meu filho distrai-se e não compreende bem o que dizemos se houver barulho no local”, "esta sempre a perguntar ah?, o que?, preciso repetir muitas vezes o que digo."


Neste sentido, o DPAC é uma alteração no funcionamento do processamento auditivo, se refere a um transtorno auditivo em que há um impedimento da habilidade de analisar e/ou interpretar padrões sonoros, mesmo com audição nos padrões da normalidade.


Pode-se dizer que processamento auditivo é “aquilo que fazemos com o que ouvimos”. Os processos neurocognitivos estão envolvidos. A memória, atenção e linguagem são integrantes no processo de análise na entrada da informação pelo canal auditivo. Uma perturbação do processamento auditivo difere da surdez, pois a pessoa pode não ter perda de audição. A dificuldade está em entender e processar corretamente aquilo que se ouve.


Alguns sinais que podem ajudar a identificar o distúrbio :


- Mostra-se excessivamente desatento;

- Apresenta reações exacerbadas para sons intensos;

- Tem uma reação lenta ao responder a estímulos auditivos (aumento do tempo de latência das respostas) ;

- Tem dificuldade na localização sonora; 

- Tem dificuldade em acompanhar uma conversa quando muita gente fala ao mesmo tempo ; 

- Confunde a ordem dos fatos ou não compreendem uma história ou anedota com duplo sentido ;

- Não atende prontamente quando é chamado ou necessita que o chamemos muitas vezes para que responda ;

Tem dificuldade em pronunciar o /R/ e o /L/;

- Fica confuso ao narrar uma história ou quando tem que dar um recado;

- Apresenta dificuldades na escola, principalmente nas disciplinas de Matemática e de Português ;

- Demora muito para conseguir aprender a ler e a escrever ; 

- Troca muito as letras na escrita ;
- Tem uma má caligrafia ;
- Confunde-se sistematicamente ao identificar e a distinguir a direita da esquerda;

- Não consegue entender corretamente os textos que lêem ;

- Tem dificuldade em memorizar as coisas ;

- É muito agitado ou, pelo contrário, quieto demais ;
- Solicitam a repetição de informações auditivas ;

- Procuram pistas visuais no rosto do falante ;
- Tem histórico de infecções repetitivas nos ouvidos (otites), principalmente nos primeiros nos de vida ;

- Gagueja ao falar ;

- Desajustes sociais: tendência ao isolamento.


Para se confirmar que se está perante uma dificuldade de processamento auditivo central, a primeira providência recomendada é consultar um médico otorrinolaringologista. Após verificar que não há perda auditiva, ou esta seja mínima, passa-se então para a avaliação do processamento auditivo, por meio de exame específico chamado PA (Processamento Auditivo). Constatado que o problema está nesta esfera – perturbação do processamento auditivo – deve iniciar-se o tratamento que é conduzido por uma terapeuta da fala para que tal perturbação possa e deva ser tratada. A reabilitação do indivíduo com transtorno do PA deve ser planejada e realizada por diferentes profissionais (fonoaudiólogo, neurologista, psicólogo) baseando-se nas necessidades individuais de cada paciente dependendo da natureza, das manifestações funcionais e do grau do problema. Envolve a modificação ambiental, para garantir o acesso à informação auditiva, a intervenção direta, que se trata do uso de técnicas que trabalhem as habilidades auditivas deficientes, e o uso de estratégias compensatórias, como uso de pistas visuais, contextuais e linguísticas.