quinta-feira, 24 de outubro de 2013

DO ALUNO COM ALTO POTENCIAL COGNITIVO (superdotado) QUE ENFRENTA DIFICULDADES NA ESCOLA (recusa em copiar, fazer tarefas ou provas escritas) SEJA NA APRENDIZAGEM OU EM SEU COMPORTAMENTO


 

Ontem conversei com a minha professora de psicologia da minha pós em Neurociência e Psicologia Aplicada, que me dá aula de atenção, sobre o caso de uma criança que apresenta uma situação, que é muito recorrente no meu grupo do Facebook, Mãe de Crianças Superdotadas, e cujo laudo tive acesso, nesta semana. O laudo, em questão apontou no WISC (teste de inteligência) um QI total de acima de 140, com alto resultado no QI Verbal e no QI de Execução também.

A criança foi encaminhada para avaliação por conta de várias queixas da escola, que alega que o aluno é desatento em sala de aula, impulsivo, inquieto, se recusa a fazer atividades, registros ou copiar. A escola suspeita que o menino tenha TDAH e o menino já foi avaliado por duas psicólogas para saber se, de fato tem TDAH. Porém, na avaliação que o menino fez, as psicólogas (que não tem especialização em Neuropsicologia), só aplicaram  o teste de inteligência WISC e um outro teste para apurar a atenção concentrada, chamado D2.

O menino saiu-se muito bem no WISC, que apontou um QI alto total, verbal e de execução, confirmando a suspeita dos pais (que não foi negada pela escola) de que o menino é muito inteligente e tem um alto potencial cognitivo. Nenhum subteste que compreende o WISC avaliado deu abaixo da média. Porém, ele teve a atenção concentrada, que foi verificada em outro teste, chamado D2, abaixo da média. Além disso, a psicóloga que aplicou o teste apurou que ele tem ansiedade, inquietude, impulsividade e sentimento de rejeição. A orientação da psicóloga foi a de que os sintomas de ansiedade, inquietação, impulsividade, rejeição e desatenção são emocionais e que se trabalhado em terapia, ele vai conseguir superar isto tudo e descartou TDAH.

Esta história me deixou intrigada. Sinto que as dificuldades apresentadas por esta criança não têm sua origem no mero fato dele ser superdotado, como algumas mães que entram no meu grupo creem acontecer. Intrigada que fiquei, fui sondar a minha professora de psicologia (que tem mestrado em distúrbios do desenvolvimento e está fazendo doutorado também nesta área) e ela me disse que quando há queixa de hiperatividade, decorrente de impulsividade ou de desatenção, ou quando é o caso do aluno que não quer copiar, registrar, produzir ou fazer atividades, HÁ QUE SE FAZER UMA AVALIAÇÃO POR UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR composta de : neuropsicóloga, neuropediatra e se necessário psiquiatra infantil e até mesmo fonoaudióloga, se o caso assim demandar. A avaliação da neuropsicóloga deverá ser feita por VÁRIOS testes de atenção e não somente o WISC e o D2. Que para se descartar ou se ter certeza sobre um TDAH somente com a aplicação de vários testes. Ou seja, uma avaliação feita tão somente no WISC ou outro teste, não é garantia de que a criança não possa ter TDAH, ou dislexia, ou qualquer outra condição que justifique a sua dificuldade de aprendizagem ou comportamental.

Concordo com ela e estou convencida, cada dia mais, de que a Neuropsicologia e UMA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR é a forma de avaliação mais cautelosa que os pais devem buscar, diante de uma queixa de hiperatividade, dificuldades de aprendizagem ou de ordem comportamental.

Se uma criança  com queixas de hiperatividade, agitação, inquietude, dificuldade de aprendizagem, resistência a copiar e registrar, por exemplo, tivesse a possibilidade de ser submetida a outros testes, é possível que a equipe multidisciplinar encontrasse um eventual DDA ou dislexia, por exemplo, como já vi acontecer em outros casos de alunos que foram, inicialmente identificados como superdotados, mas, que diante das dificuldades de aprendizagem os pais procuraram uma avaliação mais completa, realizada através de uma equipe multidisciplinar, que apurou por exemplo que a criança tinha uma leve DDA ou uma leve dislexia. E, uma vez constatada a hiperatividade ou dislexia, o aluno tem direito a uma EDUCAÇÃO ESPECIAL e à necessidade de um atendimento educacional especial, aonde sim, ele poderá eventualmente deixar de copiar, fazer registro e ter direito a provas orais e a realização de atividades específicas, direito a mais tempo para a realização das atividades e tarefas, tarefas diferenciadas, direito de realizar a prova em local diferente e que considerarão a sua REAL dificuldade de aprendizagem. Sem esta oportunidade de uma avaliação mais completa, o aluno fica com uma avaliação que acusa somente o seu alto potencial cognitivo, porém o problema de aprendizagem e comportamental persiste e pode ser que ele não consiga superar as queixas apontadas no laudo e verificadas pela escola, somente com terapia. É muito possível que, se este aluno tivesse a inclusão que o aluno com hiperatividade ou dislexia, por exemplo, tem direito, que ele se sentisse menos ansioso, menos inquieto, menos impulsivo e menos rejeitado e conseguisse, desta forma, mostrar o seu real potencial e desempenho.

Fica aqui um apelo para que os pais de crianças muito inteligentes, superdotadas, ou com alto QI apontado nos testes de inteligência, porém cujos filhos apresentem problemas comportamentais ou de aprendizagem (desatenção, dificuldade na leitura, interpretação, recusa em copiar, registrar ou produzir) que procurem uma equipe MULTIDISCIPLINAR, composta de um neuropsicólogo, um neuropediatra, se preciso um psiquiatra infantil e fonoaudióloga), para que TODOS OS TESTES de atenção, ou que meçam a hiperatividade, dislexia, O PROCESSAMENTO AUDITIVO, entre outras condições que possam estar dificultando ou interferindo na aprendizagem e comprometendo o comportamento da criança sejam aplicados e para que a escola e os pais saibam exatamente com o quê estão lidando e os direitos que esta criança tem (no caso de necessidades educacionais especiais decorrentes de TDAH, DDA, dislexia, DPA) sejam assegurados, diante de uma realidade palpável e não apenas com o argumento de que o aluno é superdotado e não quer copiar. Superdotação não é motivo, nem desculpa, para recusa de cópia, atividade, ou realização de prova escrita. Quando isto acontece, sem que seja apurada a real origem das dificuldades e comportamentos apresentados, todos saem perdendo : a escola, os pais e principalmente o mais importante nesta história ; o aluno !


4 comentários:

  1. Gostei muito do que escreveu, pois vem de encontro aos meus anseios, sendo eu professora de A.E.E - Atendimento Educacional Especializado. E saber que na escola que trabalho tem alunos que apresentam essas características e já fizeram o testes na escala Wisc e já passaram pelo neuropediatra e/ou psiquiatra infantil, são medicados devido TDAH. E estão aguardando avaliação da equipe multiprofissional do município para serem encaminhados a Sala de AEE ou/e Recursos Multifuncionais. Enquanto isso o aluno permanece somente com as atividades da sala de aula e apresentando (desatenção, dificuldade na leitura, interpretação, recusa em copiar, registrar ou produzir) e a professora duvidando do potencial do aluno devido aos problemas apresentados. Gostaria de manter contato para conhecer mais sobre o assunto que está recente na rede municipal de Goiânia. Em Nosso estado o NAAH/S foi implantado em 2005, a implantação das Salas de Recursos Multifuncionais a partir de 2008. Este é o blog que posto atividades, temas, jogos que produzo nesta sala.
    http://aeerecursos.blogspot.com.br/

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  2. Bom dia, gostei do seu artigo estou tendo essas dificuldades com meu filho na escola, vou falar um pouco dele, o Gabriel nasceu de parto normal com 8 meses de gestação, aprendeu a andar com 13 meses, quando começamos a tirar a fraldas dele, ele se recusava a usar o pinico, pulou direto pro vaso sanitário tivemos que comprar um adaptador de acento pra ele, com 3 anos ele não falava uma palavra, era sempre: "mumnnn munmmm" foi ai que começamos a investigar, fizemos vários exames nele, ressonância, audiometria, neuropediatra enfim, e não foi apresentado nada, ai ele foi encaminhado pra fonoaudióloga pra fazer a terapia pra corrigir esse atraso na linguagem. Agora na idade escolar desde o Jardim II, ele vem apresentando esses comportamentos descrito no artigo. A escola fez encaminhamento para avaliação psicológica nele, e a principio a psicóloga deu esse parecer de superdotação no caso do Gabriel. Pela avaliação dela, ele estava com 5 anos, mas a idade intelectual dele era pra uma criança de 7 pra 8 anos. Agora ele já está no 1º ano e está com estas dificuldades em sala de aula, estamos sendo chamado constantemente pra comparecer a escola pra tratar desses comportamentos em sala de aula.

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  3. Boa tarde! Meu filho tem 9 anos e desde o 2°ano tenho reclamações na escola de que ele não registra tarefas, se recusa a realiza las. Mas quando é realizada oralmente QQ tarefa ele se sai bem. Pergunto pq as escolas aprovam crianças com este tipo de dificuldade? Porque e o que ouço quando tenho reuniões. E o que e como posso ajudar meu filho a mudar essa história que as vezes sofre bulling por isso? SOCORRO ME AJUDEM.lidiacarlos0908@gmail.com

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  4. Lidiana,

    Em geral, alunos que se recusam a registrar tarefas, fazer cópias e se dão melhor em provas orais ou apresentam TDAH ou a síndrome de asperger. Isto é um rebaixamento das funções executivas. Por isso, é importante que ele passe por uma avaliação neuropsicológica e com neuropediatra, que irá apurar se ele apresenta estas ou outras condições que estejam afetando o desenvolvimento ou a aprendizagem dele e acarretando estas dificuldades. Uma vez identificada, a criança tem direito ao atendimento educacional especializado. Se a escola já oferece provas orais, mesmo sem ele ter um laudo, ótimo, mas, de toda forma, é bom saber o que o seu filho, de fato, tem, para saber qual tratamento irá oferecer para ele.

    Não entendi a sua pergunta : " ergunto pq as escolas aprovam crianças com este tipo de dificuldade?"

    Sobre a sua outra pergunta : " E o que e como posso ajudar meu filho a mudar essa história que as vezes sofre bulling por isso?" é descobrindo o que, de fato, o seu filho tem, para verificar qual tratamento ele terá e como a escola deverá agir em relação a ele.

    Se ele continuar apresentar bullying, sugiro a mudança de escola,mas não sem antes ele ter um diagnóstico para que a escola saiba como tratá-lo.

    Boa Sorte !

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