sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Estudo questiona uso de medida única para a inteligência



20/12/2012 - 04h30



FERNANDO MORAES



Um estudo publicado ontem na revista científica "Neuron" traz evidências de que não existe uma propriedade única e geral do cérebro chamada inteligência, passível de ser medida por meio de testes como os de QI.



"Outros estudos já haviam sugerido que há vários tipos de inteligência. Contudo, o nosso trabalho é o primeiro a mostrar que cada um deles está associado a um tipo diferente de área cerebral", explicou à Folha Adam Hampshire, líder da pesquisa, que trabalha na Universidade de Ontário Ocidental (Canadá).









A pesquisa utilizou ressonância magnética funcional, modelagem computacional e o maior teste de inteligência online jamais feito para chegar aos resultados.



Dezesseis pessoas responderam a uma bateria de 12 testes cognitivos envolvendo memória, raciocínio, atenção e habilidades de planejamento enquanto passavam pela ressonância magnética.



O exame mapeava uma região chamada córtex MD, que estudos anteriores haviam relacionado a uma série de tarefas cognitivas.



Os resultados mostraram que atividades em que era utilizada a memória de curta prazo (usada para lembrar um novo número de telefone por alguns segundos, por exemplo) ativavam uma rede específica do córtex MD.



Em tarefas nas quais a informação era processada a partir de regras, como o raciocínio dedutivo, a rede ativada se mostrou diferente.



"Ao examinarmos a atividade cerebral e as diferenças individuais de desempenho, mostramos que há pouca evidência de que exista uma única inteligência geral dominante", diz Hampshire.



A mesma bateria de 12 testes foi aberta a qualquer pessoa na internet. Também havia um questionário sobre a formação dos que responderam e seus hábitos.



Mais de 100 mil pessoas participaram da pesquisa, das quais 44,6 mil preencheram o questionário de forma completa e correta.



Isso trouxe uma quantidade imensa de informações sobre como certos fatores (idade, gênero, tendência a jogar videogame etc.) influenciam as funções cerebrais.



Os dados mostraram que a idade é o fator mais importante na performance intelectual geral. O desempenho é significantemente afetado nas pessoas com 60 anos ou mais quando comparadas àquelas de 20.



A habilidade verbal é a menos afetada com a idade. Já o hábito de jogar videogame está ligado a um melhor desempenho em atividades que envolvem raciocínio e memória de curto prazo, mas pouco influi na habilidade verbal.



E a ansiedade atrapalha de forma moderada a memória de curto prazo, mas tem um impacto quase desprezível nos outros fatores.



Os dados dão suporte à ideia de que esses componentes da inteligência têm base em sistemas cerebrais relativamente independentes.



"Cada tipo de inteligência está relacionado a um diferente conjunto de variáveis demográficas e sociais", diz Hampshire. "Portanto, comparar a inteligência de diferentes populações por meio de um número de QI é uma grande simplificação."

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