Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Uma conversa sobre superdotação

Extraído do site : https://paratodos.net.br/2016/11/24/uma-conversa-sobre-superdotacao/

mariaclara
DESCRIÇÃO DA IMAGEM: a foto mostra Maria Clara, que é uma mulher branca, de cabelo curto e de óculos, sentada à mesa tomando um café. Ela veste uma camisa azul de listras brancas e tem um casaco azul escuro nas costas. No fundo, uma parede de tijolinhos.

Qual a importância de identificarmos a inteligência precoce das crianças? Toda criança inteligentíssima é superdotada? Estimular a criança precocemente tira dela o tempo livre do brincar? Essas foram algumas das perguntas que a pedagoga Maria Clara Sodré respondeu à jornalista Ciça Melo, do Paratodos. O bate-papo faz parte de um ciclo de encontros sobre inclusão realizado pelo Paratodos em parceria com a livraria Blooks, em Botafogo. Na edição anterior, a convidada foi a artista Olivia Byington, que veio falar do livro ‘O que é que ele tem’ e conversar com o público sobre inclusão.

Ao contrário do que indica o senso comum, os alunos com superdotação também são alunos em situação de inclusão. Isso porque, como em outros casos mais clássicos de inclusão, é preciso tornar o conteúdo escolar mais estimulante para esses estudantes – que, muitas vezes, podem concentrar sua atenção para algumas disciplinas específicas ou temas que lhe agucem ou provoquem. Sem uma adaptação, nesse caso também, pode haver desinteresse pelo ensino, perda do prazer em aprender e comportamentos inadequados em sala de aula. Eles são mais uma amostra de que os padrões de ensino universais não atendem a todos os alunos de uma mesma turma.

Maria Clara

Doutora em Educação de Superdotados, Maria Clara respondeu por quase uma década pelo programa de atendimento de alunos superdotados na Escola Americana do Rio de Janeiro, implantou e dirigiu por cinco anos o programa de atendimento de alunos superdotados de baixa renda do Instituto Social Maria Telles (Ismart) e esteve à frente, por 15 anos, do Projeto Futura, um programa de educação infantil para crianças de baixa renda que, entre outras coisas, visava a identificar e atender alunos precoces na pré-escola. No Instituto Lecca, organização sem fins lucrativos, dirige programas educacionais, buscando identificar crianças superdotadas de famílias de baixa renda e prepará-las para a entrada em escolas públicas de excelência.

– Visitei e estudei várias escolas no mundo. Então, posso dizer que é preciso trabalhar de forma individualizada, mesmo olhando para a turma toda. É possível – disse ela.

Maria Clara ressalta a importância de a família não ignorar os sinais de precocidade que algumas crianças dão, ainda pequenas. Como ler aos três anos, fazer cálculos mentais aos 4, ou ainda se interessar por assuntos que geralmente não despertam o interesse de crianças de sua idade, tais como  reconhecer as bandeiras dos países com apenas 2 anos. É preciso prestar atenção quando a criança interessa-se mais por aprender do que por jogar bola ou brincar com brinquedos que ocupam seus pares em idade.

– Sem um diagnóstico da superdotação e as devidas adaptações educacionais, muitas vezes o que se observa é que a criança não desenvolve toda a sua potencialidade. A primeira característica a destacar é a precocidade. São crianças mais curiosas, concentradas e obstinadas em acertar, compreender aquilo de seu interesse. Não estou falando de indivíduos raros. Os superdotados representam 5% da população.

Segundo a especialista, um dos danos de não se diagnosticar a superdotação e, em consequência, não estimular as suas potencialidades, recai, muitas vezes, sobre o desenvolvimento emocional dos alunos.

– Uma característica dos alunos superdotados não atendidos é achar a escola insuportável, podendo levar à depressão ou mesmo a “tocar o terror” na escola – comentou Maria Clara. – A maior tragédia que pode acontecer é um aluno aprender que a escola não é local para aprender. Isso vale para todos, claro.


Diante da relevância do tema e da importância de mostrarmos as diversas possibilidades de inclusão e diferenças nas crianças,  o Paratodos vai publicar em breve uma entrevista com Maria Clara. Quer participar? Envie suas perguntas para paratodos@paratodos.net.br.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O QI é fixo ou pode mudar?


QI

Por: João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto


inteligência refere-se a uma característica estável das pessoas e tem forte base genética. Portanto, suas alterações são poucas ao longo da vida. Essa capacidade varia para cima, mas também pode variar para baixo. Portanto, as variações de sua medida, o QI, também são poucas. Mas elas existem, podem ser importantes e ocorrem tanto em indivíduos quanto no coletivo – o QI dos países também pode aumentar, uma vez que é o agregado dos QIs individuais.


Dada a associação entre um QI mais elevado e resultados considerados positivos para o indivíduo e a sociedade, a maioria dos estudiosos do tema consideram que, embora pequenas, essas mudanças e diferenças devem ser conhecidas e maximizadas por meio de intervenções comprovadamente eficazes.


Já para os críticos isso é apontado como um dilema: se a medida muda, não é confiável; se não é confiável, não serve. É mais ou menos como dizer que o termômetro é inútil porque a temperatura registrada no termômetro varia conforme a febre, e o mercúrio no termômetro, por sua vez, varia conforme a altitude. Nada disso invalida a precisão desta medida. E se o QI fosse imutável, seu uso seria inaceitável, pois apenas criaria mais estigmas. É como querer impedir que as pessoas nasçam ou deixem de nascer com uma determinada cor ou característica étnica porque tal cor ou característica é estigmatizada.


Voltemos à correnteza principal. O QI é aferido por meio de testes – o mais conhecido é o Teste de Matrizes Progressivas de Raven[i], mas há vários outros. Esses testes produzem índices um pouco diferentes uns dos outros, mas os bons testes são altamente correlacionados entre si e os resultados dos indivíduos ao longo da vida são muito estáveis.

Mas a palavra “estáveis” não significa estanque, nem imutável. O QI pode mudar. Para cima e para baixo. E pequenas mudanças de 3 a 4 pontos tanto podem refletir flutuações de medida como efetivas mudanças na capacidade. Pequenas diferenças fazem muita diferença.


Há duas fases de maior instabilidade do QI – nos anos iniciais e nos anos finais da vida.

Nos anos finais, há um declínio comprovado, fortemente associado ao declínio da memória e velocidade de processamento. Pessoas com maior QI têm uma perda um pouco mais acentuada, podendo chegar a cerca de 6 pontos (40% de um desvio padrão). Isso é inevitável – mas as diferenças individuais são grandes10 .

Nos anos iniciais, quando as medições flutuam mais, inclusive pelas maiores dificuldades de mensuração, o QI pode ser fortemente influenciado pelo que acontece no ambiente intrauterino e depois do nascimento.

Os casos mais drásticos e conhecidos são os de adoção: crianças nascidas em ambientes socioeconômicos mais desfavorecidos, onde também há maior concentração de QIs mais baixos em qualquer país, costumam ter avanços de 12 pontos ou mais quando adotadas nos primeiros anos de vida por famílias pertencentes a grupos mais favorecidos do ponto de vista socioeconômico11. O mesmo ocorre – mas com menor impacto – com algumas intervenções educacionais.


Há três aspectos importantes a aprender dessas evidências:


·         Primeiro, avanços reais no QI, mesmo que sejam de 1 ponto, são significativos. Um ponto e meio significa 10% de ganho em um desvio padrão – isso pode ser muito significativo. Pode não levar uma criança de menor QI a uma boa universidade, mas pode tirá-la da zona de risco ou assegurar que ela conclua o ensino médio. Um aumento de 6 pontos equivale a 40% do desvio padrão, um aumento significativo em qualquer ponto da escala.

·         Segundo, os ganhos em QI podem ser comprovados, mas também há perdas, e muitos dos ganhos comprovados são revertidos. Por exemplo, há intervenções educacionais que comprovadamente aumentam o QI dos participantes, mas alguns desses aumentos se mantêm com o tempo, outros desaparecem. No entanto, mesmo quando os efeitos desaparecem, os ganhos podem ser muito significativos, pois permitiram ao indivíduo avançar em diversas dimensões, e o que foi conquistado não se perde12.

·    Terceiro, a chamada Primeira Infância constitui uma janela de oportunidades em diversos aspectos – inclusive para a inteligência.


Para conferir as referências bibliográficas deste texto, clique neste link aquihttp://www.alfaebeto.org.br/blog/o-qi-e-fixo-ou-pode-mudar/








[i] Eu já penso que o teste que melhor mede o QI no Brasil é o WISC IV para crianças maiores de 06 anos e o WAIS para adultos, acima de 17 anos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Orquestra Carioca tem 300 alunos e pretende chegar em 2020 com 80 mil músicos


Enquanto pupilos se esforçam, dedilhando, batendo ou soprando os instrumentos, seus mentores tentam sensibilizar o empresariado a aderir a projeto contribuindo com dinheiro ou doações

WILSON AQUINO

Rio - Alheios às dificuldades financeiras para tocar o programa Orquestra nas Escolas, mais de mil alunos da rede municipal de Educação se dedicam para ingressar no mundo da música. Cerca de 900 meninos e meninas ficam na escola após o término das aulas para aprender a tocar um instrumento. Outros 300, que já são pequenos músicos, viajam quilômetros até um dos centros de educação musical da Prefeitura do Rio para aprimorar seus conhecimentos e ensaiar. Afinal, os 300, por conta das altas habilidades, foram pinçados na rede para integrar a Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca.


É o caso do aluno do sétimo ano da Escola Municipal Professor Alfredo Pinto Flores, Alefe Emanoel dos Santos Benício, 13 anos. O jovem trompetista, que aprendeu a tocar em casa, com o pai, sai do Magarça, em Campo Grande, todas às quartas e sextas, e percorre mais de 50 quilômetros até a Escola Rivadávia Correia, no Centro, para ensaiar. "Quero tocar na orquestra", disse com a convicção de quem vai alcançar seu objetivo.

 
Ana Carla Freitas é só orgulho: ela tem três, de seus quatro filhos, inscritos na Orquestra nas Escolas. “A música sensibiliza meus filhos”
Luiz Ackermann / Agência O Dia

O projeto do secretário municipal de Educação, César Benjamin, é ambicioso. Ele quer que 80 mil alunos da rede se tornem músicos até 2020. "Teremos orquestras de flauta, sopro, percussão. Teremos um coro! Todo semestre a gente lança edital para os alunos da rede, que queiram participar do programa", esclareceu a coordenadora do programa, a pianista Moana Martins. Os ensaios acontecem no contraturno e não prejudicam as aulas normais.

Enquanto os pupilos se esforçam, dedilhando, batendo ou soprando os instrumentos, seus mentores tentam sensibilizar a sociedade, de um modo geral, e o empresariado, em particular, a aderir ao projeto contribuindo com dinheiro ou doações. "Estamos fazendo a ação de captação de recursos, nos inscrevemos em todos os programas de incentivo", explicou a coordenadora.

"Eles (os empresários) podem deduzir 100% dos seus impostos. Pessoa física também pode destinar o Imposto de Renda, a pagar ou a restituir, para a orquestra", conclamou Moana. Segundo ela, uma parceria já foi fechada com a Yamaha do Brasil e outras empresas estão se mobilizando para apoiar o programa.

Moana, que também é coordenadora geral e artística do projeto social Som Eu, que existe há seis anos Morro da Providência e atende a mais de 600 crianças e jovens, acredita que a música tem o poder de transformação. "A música não tem cor, nacionalidade e nem religião. E tem a capacidade de agregar, integrar e socializar as pessoas".


Os meninos selecionados para a Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca ganham bolsa de R$ 200 e vale-transporte, inclusive para o responsável que os acompanha. Além de um lanchinho. "Basicamente, os alunos são oriundos de classes populares. E o poder público é o único responsável, ou o que se apresenta mais próximo aos meninos, para ajudá-los a conhecer coisas que não fazem parte do cotidiano deles", ensinou a professora Bárbara Portilho, que tem 35 anos de magistério e foi convocada para integrar a coordenação do Orquestra nas Escolas.

Para quem só tinha o beco da comunidade pela frente, a música mostra outros caminhos para Mariana Cristina Santana Gonçalves. A jovem começou tocando violão, mas depois mudou para a viola. "Porque gosto de som mais grave", declarou a menina que mora na Rocinha. Ela ainda não sabe se vai seguir carreira na música. Mas sabe que agora tem essa opção.

Família unida pela música não desafina

Se existe alguém que não tem duvida sobre o poder de música é a guia turística Ana Carla Freitas. Sua filha mais velha entrou em depressão após a morte de um parente e teve o valioso auxílio das aulas de violoncelo para superar a perda. "Trabalho no Dona Marta e conheço tudo que tem no entorno dos 788 degraus do Morro. Lá havia o projeto Ação Social pela Música. Ela começou e não parou mais. Tocou até no Theatro Municipal".


A música, pelo jeito, estava no DNA da família. Quatro dos cinco filhos da Ana Carla tocam instrumentos. E três foram selecionados para serem músicos da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca. Ana Ínola, 12 anos, e Charbel Janos, 10, tocam violino. A Margit Virgínia, 11, prefere a viola. "Eu faço questão de levar eles para os ensaios de qualquer jeito", garantiu a mãe que vive em ritmo acelerado, mas se sente recompensada. "A música sensibiliza meus filhos. Eles ficam mais calmos, se sentem incluídos no espaço, totalmente diferente de outras crianças que vivem em comunidades. A música faz uma mudança total na criança", disse Ana, que não sabe tocar nada. "Pedi a meu pai para comprar um instrumento, mas ele não tinha dinheiro e ficou por isso mesmo".

Primeiro concerto no mês que vem

A expectativa para o concerto de estreia da Orquestra Sinfônica Juvenil Carioca já é grande entre os 300 alunos da rede municipal que irão se apresentar. Eles têm ensaiado duro nos dois centros de educação musicalEscola Rivadávia Correia, Centro, e Cidade das Artes, Barra da Tijuca. Na Rivadávia, os grupos são divididos por instrumento: sopro, cordas e percussão. Os professores, vindos do projeto Som Eu, lapidam as pequenas joias musicais, dando orientações sobre postura e como extrair o melhor som. A primeira apresentação, que será gratuita, está prevista para 27 de novembro, às 15h, na Cidade das Artes.


"Vai ser maravilhoso. Teremos um elenco de duas mil pessoas e os 300 meninos da Orquestra no palco. No final, faremos tributo a dois grandes mestres da música brasileira, os maestros Heitor Villa Lobos e Tom Jobim", antecipou a coordenadora Moana Martins.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

GANHADOR DO NOBEL DE QUÍMICA RELATA DIFICULDADE NA ESCOLA POR DISLEXIA



Ganhador do Nobel de Química relata dificuldade na escola por dislexia

Um dos vencedores do Prêmio Nobel de Química, Jacques Dubochet (Foto: Reprodução/Facebook)
UM DOS VENCEDORES DO PRÊMIO NOBEL DE QUÍMICA, JACQUES DUBOCHET (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

Aos jornalistas, Jacques Dubochet disse que seria muito difícil imaginar na infância que se tornaria um cientista importante
  
Um dos três ganhadores do Nobel de Química 2017, o biofísico suíço Jacques Dubochet lembrou nesta quarta-feira, em suas primeiras palavras após ser premiado, que sua escolaridade foi complicada por conta da dislexia, o que lhe fazia "ir mal em todas as matérias".

um dos três ganhadores do Nobel de Química 2017, o biofísico suíço Jacques Dubochet lembrou nesta quarta-feira, em suas primeiras palavras após ser premiado, que sua escolaridade foi complicada por conta da dislexia, o que lhe fazia "ir mal em todas as matérias"

Em 1955, quando tinha 14 anos, Dubochet foi "oficialmente" o primeiro menino disléxico do cantão de Vaud (leste da Suíça), onde nasceu e residia.

Mostrando grande humildade, o premiado ofereceu uma original coletiva de imprensa duas horas depois que a Real Academia Sueca das Ciências divulgou os ganhadores, que além de Dubochet foram o alemão-americano Joachim Frank e o britânico Richard Henderson.

Os três foram reconhecidos pelas contribuições aos distintos períodos de desenvolvimento da "criomicroscopia eletrônica", uma técnica que permite observar biomoléculas em alta resolução, o que até esta descoberta era impossível.

"Em um momento como este, o meu sentimento é de grande reconhecimento... mas um prêmio científico é algo ambíguo porque põe um indivíduo em evidência, quando o esforço coletivo deveria ser reconhecido", comentou.

Dubochet, que compareceu perante a imprensa como se estivesse em uma sala universitária, simplificou seu desconforto afirmando que consistiu em "inventar a água fria", embora tenha repetidamente que enfatizado que não fez isso sozinho.

A invenção atribuída a Dubochet corresponde ao procedimento de "vitrificação" da água, através de seu congelamento ultrarápido, o que permite às biomoléculas conservar sua forma natural e que permite que sejam estudadas suas propriedades originais.

Durante seu comparecimento, o professor evidenciou várias vezes a pouca importância que dá à glória pessoal e assegurou detestar a concorrência, pois a seu entender os avanços científicos só podem ser o fruto da colaboração.

Dubochet também relatou que na sua infância teria sido impossível imaginar que chegaria a ser um cientista tão importante porque a sua dislexia gerava dificuldades de aprendizagem.

No entanto, disse que se trata de uma desordem que "tem sistemas de compensação" que lhe permitiram se graduar e virar doutor em biofísica.

O premiado, que tem dois filhos e se declarou politicamente simpatizante da esquerda, está aposentado há dez anos.








segunda-feira, 2 de outubro de 2017

STF autoriza a matrícula de alunos que nasceram após 31 de março ou 30 de Junho no Primeiro ano do Ensino Fundamental, ainda que completem 06 (seis) anos no decorrer do ano letivo e após 31/03 ou 30/06

STF autoriza a entrada na escola de alunos abaixo dos seis anos

Extraído do site :

Alunos de escola estadual em Campo Grande (Foto: Marcos Ermínio / arquivo)
Regra só vale para as crianças que atingirem a idade mínima no decorrer do ano letivo

Ricardo Campos Jr.

O STF (Supremo Tribunal Federal) declarou constitucional a idade mínima de 6 anos para começar o ensino fundamental, mas permitiu a matrícula dos alunos mais novos que alcançarem essa faixa etária no decorrer do ano letivo. A ação foi proposta em 2007 pelo então governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB).

Por exemplo, uma criança que terminará a pré-escola em 2017, mas só fará 6 anos entre julho e dezembro do ano que vem poderá cursar normalmente o 1º ano do ensino fundamental em 2018, mesmo sem ter a idade mínima.

A ideia de Puccinelli era justamente o contrário: que o Supremo interpretasse a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) no sentido de autorizar o poder público a restringir o acesso somente àqueles que já tivessem 6 anos no ato da matrícula ou nos seis primeiros meses do ano.

Isso porque em 2007, quando o processo foi protocolado, pais começaram a acionar a Justiça contra o estado para terem seus filhos abaixo da idade mínima matriculados na rede estadual.

Os ministros do STF, contudo, demoraram dez anos para julgar o caso. No dia 28 de setembro, o relator da ação, ministro Edson Fachin, ressaltou que exigência de idade mínima é constitucional. Ele também defendeu, conforme a assessoria de imprensa do STF, que “não cabe norma local instituindo data em que a criança deve completar a idade exigida, como algumas leis nas quais se fixa o 31 de março”.

A sentença foi publicada na edição desta segunda-feira (2) no Diário Oficial da União, mas ainda não há acórdão por escrito. Ou seja, não temos acesso ao teor do julgamento. Por enquanto, somente temos acesso á decisão.


MEUS COMENTÁRIO A ESTE RESPEITO :

Trata-se de uma AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE proposta no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo governo de Mato Grosso do Sul, tendo em vista que escolas públicas e particulares daquele estado têm enfrentado questionamentos, em mandados de segurança (MS), quando indeferem matrícula, no primeiro ano do ensino fundamental, para crianças que ainda não completaram seis anos na data de início do ano letivo. Ele pretende ver reconhecida pelo STF a constitucionalidade dos artigos 24, II, 31 e 32, caput, da Lei 9.934/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), que fixaram a idade mínima de seis anos completos para o ingresso no ensino fundamental (no entendimento do Governador)..

Decisão: Após o voto do Ministro Edson Fachin (Relator), julgando procedente o pedido, ao entendimento de que é constitucional a Lei 9.394/96, no que fixa a idade de seis anos para o início do ensino fundamental, inadmitida a possibilidade de corte etário obstativo de matrícula da criança no ano em que completa a idade exigida, nos termos de seu voto, no que foi acompanhado pelo Ministro Alexandre de Moraes, pediu vista dos autos o Ministro Roberto Barroso. Ausente, justificadamente, o Ministro Dias Toffoli. Presidência da Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 27.9.2017.

Interpretação

O processo discute a constitucionalidade do artigo 32 da Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), segundo o qual o ensino fundamental se inicia aos seis anos de idade.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, entende que não é possível concluir, pela leitura da Lei 9.394 ou do artigo 208, inciso IV, da Constituição Federal (CF) – segundo o qual a educação infantil se estende até os cinco anos de idade –, que o Legislativo federal possibilitou o ingresso no ensino fundamental apenas à criança que tenha seis anos completos no início do ano letivo.

Mesmo nos casos dos ESTADOS que têm lei própria, estipulando outra data de corte, que não a de 31/03, estas leis são inconstitucionais, segundo o entendimento do STF

A princípio, as ações diretas de constitucionalidade valem contra todos e têm efeito vinculante sobre as decisões do Judiciário. Mas, pela minha prática jurídica e anos atuando no Direito Educacional não consigo vislumbrar um cenário imediato em que esta decisão proferida, hoje, pelo STF possa modificar todas as datas de cortes instituídas pelos Conselhos de Educação (sejam estes Municipais, Estaduais ou Nacional. Até porque, nesta matéria, o que prevalece é a determinação dos Conselhos Municipal ou Estadual de Educação e as escolas à elas se vinculam e não descumprem as determinações dali advindas.

Aos leitores que me acompanham, atento que cada Estado tem autonomia concedida pela Constituição Federal para cuidar da Educação e regulamentar, através de seus Conselhos de Educação, deliberações e Pareceres acerca da data de corte. Estas normas, por sua vez, podem ser questionadas, judicialmente, se o entendimento dela for contrário ao que preceitua a nossa Constituição Federal ou a nossa Lei Federal. Por isso que muitas Deliberações e Pareceres dos Conselhos de Educação são questionadas, todos os anos, em sua grande maioria pelos pais que se sentem prejudicados, ou por algum Estado ou por alguma entidade do Ministério Público (através de ações coletivas, tal como a que ocorreu em Pernambuco, Atibaia, Distrito Federal, etc).

No meu entendimento, qualquer lei ou ato normativo do CEE que dispuser contra data de corte diferente da de 31/12 é ilegal e inconstitucional. Como não teremos o acolhimento, na prática, de imediato ou até mesmo num futuro próximo, deste julgado do STF, pois as escolas dependem de autorizações das Secretarias de Educação de seus Estados para realizar a matrícula dos alunos em seus sistemas de ensino, e estas, por sua vez, utilizam de Resoluções ou Deliberações dos Conselhos de Educação, e não acho que elas terão pressa ou interesse em modificar estas Deliberações ou Resoluções, a sugestão é para que os pais de crianças nascidas fora da data de corte, que se sintam prejudicados por conta do critério etário para matrícula decorrente destas Deliberações ou Resoluções dos Conselhos de Educação, continuem se valendo do Judiciário, para garantir a matrícula de seus filhos, nas séries desejadas, ainda que estes tenham nascido fora da data de corte, uma vez comprovada a capacidade da criança para cursar a referida série.