Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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segunda-feira, 11 de maio de 2026

A escola não pode ser conivente com crime ou ato infracional praticado dentro do ambiente escolar.



Ao tomar conhecimento de uma situação grave envolvendo funcionário, professor ou aluno, a instituição de ensino deve agir imediatamente: comunicar as autoridades competentes, colaborar com as investigações, preservar provas, ouvir os envolvidos e instaurar uma sindicância interna, sempre respeitando o contraditório, a ampla defesa e os direitos da vítima.

Quando houver menor de idade envolvido, é fundamental acionar o Conselho Tutelar, o Ministério Público e, quando necessário, a Diretoria de Ensino, além de oferecer apoio à família e zelar pela proteção integral da criança ou adolescente.

Tudo deve ser documentado: atas, registros, imagens, depoimentos e providências adotadas. A omissão da escola pode gerar responsabilidade.

Prevenir, orientar, registrar e agir com rapidez são deveres essenciais da instituição de ensino.

⚖️ Cláudia Hakim
Advogada especialista em Direito Educacional
OAB/SP 130.783

sábado, 9 de maio de 2026

PL 1.049/2026: Pressão social, pressão política e judicialização devem servir de base para uma Política Nacional?


O modelo de adesão voluntária previsto no PL 1.049/2026 não representa, necessariamente, uma “estratégia inteligente” de implementação de política pública. Ao contrário, há fortes razões jurídicas, constitucionais e práticas para sustentar que a adesão facultativa dos entes federativos pode comprometer a efetividade da própria Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação.


Isso porque o projeto condiciona justamente os mecanismos centrais da política — triagem educacional, identificação precoce, criação de Centros de Referência, cooperação técnica e financiamento — à adesão voluntária de Estados, Distrito Federal e Municípios.


Na prática, isso significa que estudantes com Altas Habilidades/Superdotação poderão continuar tendo acesso desigual aos seus direitos conforme o local em que nascerem ou estudarem. Enquanto alguns entes poderão estruturar serviços, realizar identificação precoce e oferecer atendimento especializado, outros poderão simplesmente optar por não aderir à política, perpetuando invisibilidade, omissões institucionais e ausência de suporte educacional adequado.


Trata-se de questão particularmente sensível porque a educação inclusiva e o atendimento aos estudantes público-alvo da Educação Especial decorrem de direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal, pela LDB e pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Não se trata de mera política pública opcional ou programa administrativo discricionário.


Além disso, o próprio PL utiliza reiteradamente expressões facultativas quanto ao financiamento. O art. 21 dispõe que “poderão ser utilizados” determinados recursos e fundos federais. Ou seja, a redação não estabelece vinculação obrigatória, destinação mínima garantida nem mecanismo concreto de financiamento contínuo e universal da política pública pretendida.


Isso gera um duplo problema estrutural:


a adesão dos entes é facultativa;

o financiamento federal também é tratado em termos de possibilidade, e não de obrigatoriedade.

Em consequência, cria-se uma política nacional cuja implementação concreta dependerá simultaneamente:

da vontade política local para aderir;

da eventual dispon

ibilidade orçamentária;


da opção administrativa da União em utilizar ou não os recursos mencionados.




Afirmar que o modelo produzirá efeitos sobre entes não aderentes “por pressão social, política e judicial” tampouco representa elemento positivo da proposta. Ao contrário, esse argumento evidencia o risco de intensificação das desigualdades e da judicialização.




Do ponto de vista das famílias e dos estudantes com Altas Habilidades/Superdotação, não é razoável transferir aos pais, escolas e comunidades escolares o ônus de exercer pressão política ou social para exigir direitos educacionais fundamentais que deveriam possuir garantia nacional uniforme.




Na prática, isso poderá obrigar famílias a:


mobilizar pressão política contra Municípios e Estados não aderentes;


provocar o Ministério Público;


ajuizar ações judiciais para obter serviços já disponíveis em outros entes federativos.




Ou seja, o próprio argumento utilizado para defender o modelo acaba admitindo que o acesso aos direitos poderá depender de litigância, mobilização social e judicialização.




Também merece destaque o risco de aumento expressivo da judicialização educacional. O chamado “padrão nacional de excelência” poderá passar a ser utilizado como parâmetro comparativo em ações judiciais promovidas por famílias de estudantes residentes em entes não aderentes.




Isso tende a gerar:


ações por isonomia;


demandas por implementação compulsória de serviços;


pedidos de triagem, identificação e AEE;


questionamentos sobre discriminação territorial;


ampliação da intervenção judicial em políticas públicas educacionais.




Em vez de reduzir desigualdades históricas, o modelo pode consolidar um cenário nacional fragmentado, no qual os direitos dos estudantes com Altas Habilidades/Superdotação dependerão da capacidade de pressão política, econômica ou judicial das famílias e da opção administrativa dos entes federativos.


Uma Política Nacional voltada à efetivação de direitos educacionais fundamentais deveria estabelecer mecanismos mínimos obrigatórios de identificação, atendimento e financiamento, assegurando proteção uniforme aos estudantes em todo o território nacional, e não depender predominantemente de adesões facultativas e incentivos eventuais.



Clique no link aabixo e assista ao vídeo que eu preparei, para entender as razões resumidas abaixo:


https://youtu.be/JofSD66x91w?feature=shared 






sexta-feira, 8 de maio de 2026

PL 1.049: pontos jurídicos que precisam ser revistos para a lei funcionar*

Minha contribuição no post que a Comissão de Direito Educacional da Seccional da OAB de Taubaté-SP sobre a polêmica em torno do PL 1.049/2026, apontando as falhas jurídicas, lacunas e obscuridades que podem tornar uma lei (caso o PL - Projeto de Lei seja aprovado no Senado, uma "lei morta": linda na teoria e que não se sustenta na prática, prejudicando aqueles que mais precisam ser atendidos: os alunos com altas habilidades ou superdotação. 


Pedmos que o PL seja retirado da pauta de votação no Senado e que seja encaminhado para as Comissões de Educação e de Direitos Humanos no Senado, para que seja aberto o debate (que não houve para a criação do referido PL) por especialistas, pesquisadores, profissionais da área, entidades que atuam há varios anos na área da Superdotação. 



Diga NÃO ao PL com a redação que ele apresenta hoje! 












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