Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Autismo ou TDAH: a escola pode expulsar por “mau comportamento”?


A resposta exige uma análise cuidadosa, especialmente quando a instituição não identificou previamente as necessidades educacionais do aluno nem implementou os apoios e as adaptações necessários.

Recentemente, consegui em ação judicial que o juiz determinasse a reintegração de um estudante autista que havia sido expulso (transferido compulsoriamente) por alegações de indisciplina e dificuldades de adaptação ao regime escolar.

A decisão também determinou a elaboração de um plano pedagógico individualizado.

Mas isso significa que alunos com autismo ou TDAH não podem receber sanções disciplinares?

Não. Esses estudantes também estão sujeitos às regras de convivência escolar.

Entretanto, antes de aplicar uma medida tão grave quanto a transferência compulsória, a escola deve avaliar se os comportamentos apresentados estão relacionados às características dessas condições e se foram oferecidos os apoios educacionais necessários.

No caso do autismo, a Lei nº 12.764/2012 e a Lei Brasileira de Inclusão asseguram direitos relacionados à inclusão, à permanência escolar e às adaptações necessárias.

Para estudantes com TDAH, a Lei nº 14.254/2021 prevê acompanhamento específico e apoio educacional adequado às suas necessidades.

Uma escola não pode simplesmente transformar dificuldades decorrentes de necessidades educacionais não atendidas em justificativa para excluir o estudante.

Isso não significa tolerar qualquer comportamento, mas reconhecer que medidas disciplinares devem ser proporcionais, fundamentadas e precedidas da análise das circunstâncias individuais.

A transferência compulsória não é automaticamente ilegal em qualquer situação. Contudo, poderá ser considerada abusiva ou discriminatória quando utilizada como mecanismo de exclusão, especialmente diante da omissão da escola em oferecer os apoios necessários.

Dra. Claudia Hakim
Advogada especialista em Direito Educacional


 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Aluno com TEA é enviado para casa em saco plástico: onde estava o dever de cuidado da escola?

 


Um caso ocorrido em Alagoinhas, na Bahia, chama a atenção para algo que deveria ser elementar na inclusão escolar: a dignidade da criança precisa ser preservada.

Segundo a família, um menino de 6 anos com TEA foi enviado da escola para casa, no transporte da Secretaria de Educação, envolto em um saco plástico e com a fralda suja de fezes.

A mãe afirma que havia fraldas e roupas para troca na mochila. Segundo seu relato, a justificativa apresentada teria sido evitar que o veículo fosse sujo.

O episódio está sendo apurado. A Polícia Civil registrou Termo Circunstanciado por constrangimento contra criança em unidade educacional. A Prefeitura de Alagoinhas também instaurou procedimento para apurar os fatos e eventual responsabilidade funcional.

O caso traz uma questão importante para o Direito Educacional:

inclusão não é apenas garantir matrícula e permanência física na escola.

Para fins legais, a pessoa com TEA é considerada pessoa com deficiência e tem direito à dignidade, segurança, participação e aos apoios necessários durante a rotina escolar.

A atual Política Nacional de Educação Especial Inclusiva prevê o profissional de apoio escolar e inclui entre suas atribuições o auxílio necessário nas atividades de higiene e alimentação, além de locomoção, participação nas atividades pedagógicas, interação social e comunicação, conforme as necessidades identificadas.

Se um aluno necessita de auxílio para higiene durante o período escolar, a escola precisa se perguntar previamente: quem prestará esse apoio quando ele precisar?

A inclusão precisa funcionar também nos momentos cotidianos: ir ao banheiro, alimentar-se, deslocar-se e comunicar uma necessidade.

Não basta matricular. É necessário planejar os apoios, capacitar profissionais e estabelecer protocolos.

Nenhuma necessidade decorrente da deficiência pode justificar tratamento humilhante ou degradante.

Inclusão também é cuidado, respeito e dignidade.

Dra. Claudia Hakim
Advogada especialista em Direito Educacional


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo traz um alerta importante para escolas e famílias.

 



Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de São Paulo traz um alerta importante para escolas e famílias.

A 29ª Câmara de Direito Privado afastou a condenação de um colégio particular em uma ação envolvendo ofensas raciais entre estudantes, ocorridas em 2022 e 2023.

O que fez diferença nessa decisão?

A escola não permaneceu omissa. Ao tomar conhecimento dos fatos, a coordenação realizou mediação pedagógica, reuniu-se com os responsáveis e solicitou um pedido formal de desculpas.

Para o Tribunal, a responsabilidade civil da escola por atos entre alunos depende da demonstração de falha na prestação do serviço, como negligência ou omissão.

E qual é a principal lição desse caso?

A escola precisa agir. E agir imediatamente!

Diante de bullying, discriminação ou agressões, não basta tratar a situação como um simples “conflito entre alunos”.

É fundamental apurar os fatos, interromper a violência, proteger a vítima, ouvir os envolvidos, comunicar as famílias e adotar as medidas cabíveis.

📌 Outro cuidado essencial: documentar tudo!

Reuniões, comunicações, ocorrências e providências adotadas devem ser registradas. Isso protege os alunos e ajuda a demonstrar que a escola cumpriu seu dever de cuidado.

Para as famílias, também fica um alerta: antes de buscar uma indenização, é importante verificar as provas existentes, se a escola sabia do ocorrido, quando soube e como agiu.

O bullying é gravíssimo, mas sua ocorrência não significa, por si só, que a escola será automaticamente responsabilizada.

Prevenir, agir rapidamente e documentar são atitudes que protegem os alunos e também resguardam juridicamente a instituição.

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⚖️ Dra. Claudia Hakim
Advogada Especialista em Direito Educacional
OAB/SP 130.783

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