
Hoje resolvi falar sobre a linha
tênue que, em alguns casos (que não são a maioria deles), separa a Superdotação
do Transtorno do Espectro Autista leve (TEA 1) ou a Síndrome de Asperger.
Repito e enfatizo, que em alguns
casos, que não representam a maioria dos casos de Superdotação, há uma
linha muito tênue que separa a superdotação do TEA leve ou da Síndrome de
Asperger (que até a última versão do DSM V, era chamada de Síndrome de Asperger
e que hoje, com o advento do DSM V, a Síndrome de Asperger passou a fazer parte
dos TEAs em nível leve, tipo 1).
O que vejo acontecer nos meus grupos
do face é a pessoa ter Superdotação e apresentar traços do Transtorno do
Espectro Autista (TEA), mas não em número suficiente para se entrar dentro
do espectro. Isso se chama Fenótipo Ampliado do Autismo.
A pessoa pode ter transtorno de
processamento sensorial (incômodo com texturas e cheiros, seletividade
alimentar) e Superdotação. Pode ter TOD (transtorno de oposição) e Superdotação
(Dupla Excepcionalidade) e não estar dentro do espectro. Pode ter o pensamento
muito rígido e Supedotação. Manias, tiques (Síndrome de Tourrete) ou rituais e
Superdotação. Problemas na motricidade ampla e fina (Dispraxia, Disgrafia ou
Disortografia) e Superdotação (Dupla Excepcionalidade). Pode, inclusive, apresentar
TDAH e Supedotação, que chamamos de Dupla Excepcionalidade. Pode também ter seletividade
na escolha dos pares intelectuais, mas NÃO A PONTO DE SE UMA DIFICULDADE DE
FAZER E MANTER AMIZADE. Apenas é uma seletividade na escolha dos pares
intelectuais. Pode apresentar estereotipias e Superdotação e não ter problemas
na interação social ou no comportamento.
O que coloca a pessoa dentro do TEA
é a presença da tríade de dificuldades e prejuízos nas seguintes áreas :
comunicação social, comportamento e interação social.
O que pode acontecer é a pessoa
apresentar estes traços ou transtornos mencionados acima e não estar dentro do
espectro. Mas, ao contrário do que se via na literatura antigamente, estes traços
de TEA não são características da Supedotação. São traços de TEA ou alguma
Dupla Excepcionalidade que podem co-existir com a Superdotação, mas não
características dela. A superdotação é apenas um constructo intelectual.
Hoje em dia, a Neurociência explica
estes incômodos, rituais, comportamentos opositores, manias, tiques, TOC e
teimosia, seletividade alimentar, etc, denominando alguns casos que
são transtornos ou justificando alguma dificuldades por conta do rebaixamento das
funções executivas (que são habilidades cognitivas medidas em escalas de
inteligência).
Se, por um acaso, você, leitor,
encontrou na literatura algo que superdotados têm incômodo com cheiros,
texturas, assincronimso, hiper excitabilidade, seletividade alimentar,
dificuldade na escolha dos pares intelectuais e que diga que é característica
da Superdotação, cuidado, pois se tratam de literaturas defasadas e que não
acompanharam o avanço da Neurociências e da Neuropsicologia! Você pode
estar deixando passar algum transtorno ou rebaixamento de função executiva em
seu filho, ou em você mesmo, que pode ser tratado com terapia específica ou
medicação e não está sendo devidamente tratado, por achar que, simplesmente, tais características decorrem da supedortação. Não se iluda, pois a pessoa sem o devido atendimento terapêutico não irá melhorar !
O que vai definir se a pessoa está
ou não dentro do espectro autista é a presença da tríade que compõe o TEA,
acima mencionada. Médicos psiquiatras ou neuropediatras poderão realizar o
diagnóstico do TEA leve mediante observação em consultório, e baseado no relato
do desenvolvimento e comportamento do paciente, na anamnese, e também poderá
solicitar uma avaliação neuropsicológica complementar, em que serão utilizados,
além dos testes de inteligência (que indicarão a presença ou não da Superdotação na pessoa) e de funções executivas, também testes de irão
apurar as habilidades sociais e teoria da Mente da pessoa. Lembrando que a
avaliação neuropsicológica não deve se limitar apenas a testes de QI.
Se há dúvidas sobre a criança ou
adulto estar ou não dentro do TEA, não hesite : Procure, imediatamente, um neuropediatra
ou psiquiatra infantil especialista em TEA, para apurar eventual diagnóstico ou
exclusão do mesmo. O importante é começar as intervenções e terapias (tendo TEA
ou não, tendo somente traços de TEA), o mais cedo possível para evitar
prejuízos no desenvolvimento da criança e menos traços do TEA ela poderá
apresentar. A avaliação neuropsicológica complementar demonstrará se além de
eventual Transtorno a pessoa também possui Superdotação e indicará a forma e estratégia de atendimento educacional especializado que a criança ou estudante universitário tem direito no âmbito acadêmico. Lembrando que são coisas
distintas.
Ótima explicação.
ResponderExcluirSempre tendo dialogar com pais e educadores quanto a essa questão.
Foi ótimo ter encontrado essa publicação.
Adorei seu post. Agora sim fez todo sentido seus comentários no grupo. Rsrsrsr muito muito obrigada por compartilhar seu conhecimento
ResponderExcluirMuito bom
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