Superdotação, Asperger (TEA) e Dupla Excepcionalidade por Claudia Hakim

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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

DA LINHA TÊNUE QUE, EM ALGUNS CASOS, SEPARA A SUPERDOTAÇÃO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA LEVE (TEA 1) OU A ANTIGA SÍNDROME DE ASPERGER


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Hoje resolvi falar sobre a linha tênue que, em alguns casos (que não são a maioria deles), separa a Superdotação do Transtorno do Espectro Autista leve (TEA 1) ou a Síndrome de Asperger.

Repito e enfatizo, que em alguns casos, que não representam a maioria dos casos de Superdotação, há uma linha muito tênue que separa a superdotação do TEA leve ou da Síndrome de Asperger (que até a última versão do DSM V, era chamada de Síndrome de Asperger e que hoje, com o advento do DSM V, a Síndrome de Asperger passou a fazer parte dos TEAs em nível leve, tipo 1).

O que vejo acontecer nos meus grupos do face é a pessoa ter Superdotação e apresentar traços do Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas não em número suficiente para se entrar dentro do espectro. Isso se chama Fenótipo Ampliado do Autismo.

A pessoa pode ter transtorno de processamento sensorial (incômodo com texturas e cheiros, seletividade alimentar) e Superdotação. Pode ter TOD (transtorno de oposição) e Superdotação (Dupla Excepcionalidade) e não estar dentro do espectro. Pode ter o pensamento muito rígido e Supedotação. Manias, tiques (Síndrome de Tourrete) ou rituais e Superdotação. Problemas na motricidade ampla e fina (Dispraxia, Disgrafia ou Disortografia) e Superdotação (Dupla Excepcionalidade). Pode, inclusive, apresentar TDAH e Supedotação, que chamamos de Dupla Excepcionalidade. Pode também ter seletividade na escolha dos pares intelectuais, mas NÃO A PONTO DE SE UMA DIFICULDADE DE FAZER E MANTER AMIZADE. Apenas é uma seletividade na escolha dos pares intelectuais. Pode apresentar estereotipias e Superdotação e não ter problemas na interação social ou no comportamento.

O que coloca a pessoa dentro do TEA é a presença da tríade de dificuldades e prejuízos nas seguintes áreas : comunicação social, comportamento e interação social.

O que pode acontecer é a pessoa apresentar estes traços ou transtornos mencionados acima e não estar dentro do espectro. Mas, ao contrário do que se via na literatura antigamente, estes traços de TEA não são características da Supedotação. São traços de TEA ou alguma Dupla Excepcionalidade que podem co-existir com a Superdotação, mas não características dela. A superdotação é apenas um constructo intelectual.
  
Hoje em dia, a Neurociência explica estes incômodos, rituais, comportamentos opositores, manias, tiques, TOC e teimosia, seletividade alimentar, etc, denominando alguns casos que são transtornos ou justificando alguma dificuldades por conta do rebaixamento das funções executivas (que são habilidades cognitivas medidas em escalas de inteligência).

Se, por um acaso, você, leitor, encontrou na literatura algo que superdotados têm incômodo com cheiros, texturas, assincronimso, hiper excitabilidade, seletividade alimentar, dificuldade na escolha dos pares intelectuais e que diga que é característica da Superdotação, cuidado, pois se tratam de literaturas defasadas e que não acompanharam o avanço da Neurociências e da Neuropsicologia! Você pode estar deixando passar algum transtorno ou rebaixamento de função executiva em seu filho, ou em você mesmo, que pode ser tratado com terapia específica ou medicação e não está sendo devidamente tratado, por achar que, simplesmente, tais características decorrem da supedortação. Não se iluda, pois a pessoa sem o devido atendimento terapêutico não irá melhorar  !

O que vai definir se a pessoa está ou não dentro do espectro autista é a presença da tríade que compõe o TEA, acima mencionada. Médicos psiquiatras ou neuropediatras poderão realizar o diagnóstico do TEA leve mediante observação em consultório, e baseado no relato do desenvolvimento e comportamento do paciente, na anamnese, e também poderá solicitar uma avaliação neuropsicológica complementar, em que serão utilizados, além dos testes de inteligência (que indicarão a presença ou não da Superdotação na pessoa) e de funções executivas, também testes de irão apurar as habilidades sociais e teoria da Mente da pessoa. Lembrando que a avaliação neuropsicológica não deve se limitar apenas a testes de QI.

Se há dúvidas sobre a criança ou adulto estar ou não dentro do TEA, não hesite : Procure, imediatamente, um neuropediatra ou psiquiatra infantil especialista em TEA, para apurar eventual diagnóstico ou exclusão do mesmo. O importante é começar as intervenções e terapias (tendo TEA ou não, tendo somente traços de TEA), o mais cedo possível para evitar prejuízos no desenvolvimento da criança e menos traços do TEA ela poderá apresentar. A avaliação neuropsicológica complementar demonstrará se além de eventual Transtorno a pessoa também possui Superdotação e indicará a forma e estratégia de atendimento educacional especializado que a criança ou estudante universitário tem direito no âmbito acadêmico. Lembrando que são coisas distintas.


3 comentários:

  1. Ótima explicação.
    Sempre tendo dialogar com pais e educadores quanto a essa questão.
    Foi ótimo ter encontrado essa publicação.

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  2. Adorei seu post. Agora sim fez todo sentido seus comentários no grupo. Rsrsrsr muito muito obrigada por compartilhar seu conhecimento

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