Quando a gente acha que já viu de tudo nas altas habilidades/superdotação, surge uma nova proposta: a chamada superdotação sexual, apresentada por Breviário et al. (2024) no artigo Validação empírica de instrumentos psicossociais para avaliação e diagnóstico da superdotação sexual no contexto educacional brasileiro.
Sim, você leu certo.
A proposta sugere que algumas pessoas teriam habilidades acima da média em aspectos socioemocionais, interpessoais e comportamentais ligados à sexualidade, configurando mais um constructo dentro do campo das altas habilidades.
No mesmo universo teórico aparece também a figura do “superdotado bulk”, associada a Álaze Gabriel do Breviário, descrito como o primeiro superdotado nível bulk do mundo, dentro da chamada Teoria da Predestinação, do paradigma neoperspectivista gifdteano e da liderança neosituacional.
E aí fica a pergunta:
Estamos falando de ciência educacional ou de uma Black Friday de conceitos?
Porque, nesse ritmo, logo teremos superdotação premium, turbo ou qualquer outra variação que transforme diferentes dimensões da experiência humana em novas categorias de identificação.
O problema não é estudar o desenvolvimento humano em sua complexidade. O problema é criar novas categorias para praticamente tudo, especialmente quando o tema envolve educação, identificação escolar e atendimento especializado.
As altas habilidades/superdotação já enfrentam desafios concretos: subidentificação, falta de formação docente, ausência de políticas públicas consistentes, meninas invisibilizadas, estudantes 2e ignorados e muitos mitos.
Talvez não faltem novas superdotações.
Talvez falte aplicar aquilo que a área já conhece há décadas: potencial elevado, facilidade de aprendizagem, enriquecimento curricular, PEI, aceleração quando indicada e atendimento educacional especializado de qualidade.
Porque, quando tudo vira superdotação, a própria ideia de superdotação perde sentido.
Ref.: BREVIÁRIO, Á. G. et al. Validação empírica de instrumentos psicossociais para avaliação e diagnóstico da superdotação sexual no contexto educacional brasileiro (2024). DOI: 10.17349/jmcv11n27-020.
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