sábado, 3 de agosto de 2013

PESQUISADORES BRASILEIROS ASSINAM MANIFESTO SOBRE TERMINOLOGIA A SER ADOTADA PARA AS PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES / SUPERDOTAÇÃO


  

Veja a íntegra do documento no site do ConBraSD que foi extraído deste link abaixo :




Professores
Nicholas Colangelo,
Françoys Gagné,
Javier Tourón
Sonia Bralic,
Maria de los Dolores Valadez,
Pedro Covarrubias,
Leandro Almeida,
Pedro Sánchez Escobedo
Susan Lynn G Assouline
Maureen Marron,
Violeta Arancibia



Prezados colegas,


Sou a atual Presidente do Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD), uma ONG (organização não governamental) que reúne pessoas com Altas Habilidades/Superdotação e seus familiares, pesquisadores da temática referente às Altas Habilidades/Superdotação, professores e instituições públicas e privadas que oferecem serviços às Pessoas com Altas Habilidades/Superdotação nos 27 estados brasileiros.



Estamos iniciando a organização do X Congreso Iberoamericano de Superdotación, Talento y Creatividad, II Congresso Internacional sobre Altas Habilidades/Superdotação e VI Encontro Nacional do ConBraSD, que serão realizados em Foz do Iguaçu, Paraná, de 11 a 14 de Novembro de 2014. Na composição do Comitê Científico, incluímos a Dra. Guenther, que é uma das nossas Conselheiras Honorárias, convidando-a para fazer parte do referido Comitê.



Em sua mensagem de aceitação, a Dra. Guenther anexou a cópia dos emails que trocou com o Dr. Gagné e enviou a todos os senhores durante 2008-2009. Como nenhum dos autores/pesquisadores brasileiros sobre altas habilidades/superdotação estava entre os profissionais que tomaram conhecimento desses emails, senti-me na obrigação de encaminhar o documento anexo a eles.



A maioria desses profissionais, dos membros da Diretoria, da Comissão Técnica e do Conselho Fiscal deste Conselho sugeriu que lhes enviasse esta carta para esclarecer alguns pontos e apresentar os nossos princípios filosóficos comuns. Aproveito para informar-lhes que as discussões sobre a terminologia têm ocorrido há várias décadas no Brasil e possivelmente continuarão a ocorrer. De fato, os três últimos encontros nacionais do ConBraSD (2008, 2010, 2012) tiveram muitas apresentações sobre o assunto.



1) Há concordância quanto ao impacto negativo que a palavra “superdotado” e “sobredotado” em português e espanhol, e “surdoué” em francês têm, pelo conteúdo superlativo do prefixo, não tão diferente do impacto que tem a palavra inglesa “gifted”, devido a sua raiz e significado. Porém, retirar o prefixo não alterará o impacto negativo, além de acrescentar outros mal-entendidos e confusões, em primeiro lugar porque “dotado”, tanto em português quanto em espanhol, é um adjetivo, e não um substantivo, que requer um complemento para ser compreendido, não tendo significado relacionado a “gifted” nos dicionários de português e de espanhol; em segundo lugar, porque a palavra tem sido usada para outras finalidades chulas (as imagens na Internet são mais explicativas).



2) Em 2002, em Lavras (Minas Gerais, Brasil), durante um evento organizado pela Dra. Guenther, um grupo de pesquisadores e familiares de pessoas com Altas Habilidades/Superdotação de diferentes estados brasileiros cconcordaram em fundar o Conselho Brasileiro para Superdotação, tendo ainda discutido a terminologia a ser usada.



Naquela época, a grande maioria dos pesquisadores brasileiros utilizava os termos “superdotado”, “pessoa com altas habilidades”, e “talentoso”, embora tivesse conhecimento da preferência da Dra. Guenther pelo termo “bem-dotado”. Apenas mais recentemente a Dra. Guenther passou a utilizar o termo “dotado”. Na fundação do ConBraSD, em 2003, todos os profissionais presentes concordaram em usar “Altas Habilidades/Superdotação”, uma expressão que atualmente é utilizada em todos os documentos legais educacionais expedidos pelo Ministério de Educação e por grande maioria dos pesquisadores da área;



3) Aproveito para informar-lhes que tenho algumas referências bibliográficas das primeiras obras sobre o tema publicadas no País, escritas na década de 1930. Nessas obras, os termos usados foram “supernormaes” (MEDEIROS, 1930; KASEFF, 1931; PAIS BARRETO, 1931), “mais capazes” (MONTENEGRO, 1932), “bem-dotados” (PINTO, 1933) e “super-dotados” (DECROLY, 1932). Portanto, a informação de que a palavra “gifted” foi traduzida para o português como “superdotado” pela primeira vez na década de 1970, como consta na correspondência da Profa. Zenita Guenther, não é correta;


4) Os pesquisadores brasileiros que apoiam este Manifesto consideram que a expressão “Altas Habilidades/Superdotação” é a mais adequada em português e não deve ser alterada neste momento; 5) Os pesquisadores brasileiros que apoiam este Manifesto consideram que existem problemas muito mais importantes para serem discutidos e enfrentados e que deveríamos destinar os nossos esforços coletivos a garantir e melhorar as políticas públicas e atendimento para as Pessoas com Altas Habilidades/Superdotação, algo que precisam desesperadamente;



6) Esta carta visa a explicar o nosso posicionamento em relação à terminologia, que não é algo pessoal, mas uma decisão comum aos pesquisadores, autores e profissionais abaixo relacionados.

Conselho Brasileiro para Superdotação (ConBraSD)

Andrezza Belotta Lopes Machado (M. Sc., Amazonas, Brasil)
Angela Mágda Rodrígues Virgolim (Ph. D., UnB, Distrito Federal, Brasil)

Bartira Santos Trancoso (Vice-president ConBraSD, Paraná, Brasil)

Carly Cruz (M. Sc., UFES, Espírito Santo, Brasil)

Cristina Maria Carvalho Delou (Ph.D., UFF, Rio de Janeiro, Brasil)

Denise Maria de Matos Pereira de Lima (M.Sc., UFPR, Paraná, BDenise de

Souza Fleith (Ph. D.,UnB, Distrito Federal, Brasil)

Eliane Titon Hotz (Spec., ConBraSD Board, Paraná, Brasil)

Elizabeth Carvalho da Veiga (Ph. D., PUC-PR, Paraná, Brasil)

Eunice Maria Soriano de Alencar (Ph.D., UnB, Distrito Federal, Brasil)

Mara Regina Nieckel da Costa (M. Sc., AGAAHSD, Rio Grande do Sul, Brasil)

Maria Clara Sodré Gama (Ph. D., Rio de Janeiro, Brasil)

Maria Lúcia Prado Sabatella (M. Sc., Inodap, Paraná, Brasil)

Paula Mitsuyo Yamasaki Sakaguti (M. Sc., UFPR, Paraná, Brasil)

Soraia Napoleão Freitas (Ph. D., UFSM, Rio Grande do Sul, Brasil)


(E-mail enviado à Dra. Guenther em 12 de junho de 2013)

From: Terra
Sent: Wednesday, June 12, 2013 3:40 PM
To: Albert Friesen ; Bartira Trancoso ; eliane.titon@bol.com.br ; Paula M. Yamasaki Sakaguti (PR) ; paulasakaguti@gmail.com ; Walquíria Roldani ; Andrezza Belota Lopes Machado (AM) ; bethveiga@hotmail.com ; Débora D. A. Pires (GO) ; Denise Maria de Matos Pereira Lima (PR) ; Erondina Miguel Vieira (ES) ; fabianechueire@gmail.com ; Graziela Cristina Jara (NAAH/S-MS) Jara ; Laura Ceretta Moreira ; Mara Eli de Matos (PR) ; Mara R. Nieckel da Costa (RS) ; Maria Alice D'Ávila Becker (AM) ; Nara Joyce ; shetorma@gmail.com ; Sílvia Helena Altoé Brandão (PR) ; Soraia Napoleão Freitas (RS) ; Vera Alice Pereira da Silva (NAAH/S-AC) ; Carly Cruz (ES) ; Maria Alice Becker (AM) ; Maria da Penha Benevides (ES) ; Marly Teresinha Deuner (SRDPSarmentoLeite) ; Vera Lúcia Palmeira Pereira

Cc: Denise Fleith ; Angela Virgolim (DF) ; Christina Cupertino (SP) gmail ; Cristina Maria Carvalho Delou ; Eunice M. L. Soriano de Alencar ; Maria Clara Sodré Salgado Gama (RJ) ; Maria Lúcia Sabatella (PR) ; Zenita C. Guenther ; varancib@gmail.com ; leandro@reitoria.uminho.pt ; pe.covarrubias@gmail.com ; psanchez@uady.mx ; sbralic@gmail.com ; jtouron@cty.es ;

Zenita Cunha Guenther

Subject: Fw: Documento enviado pela Profa. Zenita Guenther


Querida Zenita,

Recebi os e-mails trocados por ti e pelo Prof. Gagné com o Prof. Colangelo e outros autores estrangeiros e estou repassando para os principais autores brasileiros e Diretoria, Comissão Técnica e ConFiscal do ConBraSD, já que, infelizmente, tomamos conhecimento somente agora.

Como sabes, o termo Altas Habilidades/Superdotação foi amplamente discutido desde a reunião de pré-fundação do ConBraSD, em Lavras, em 2002 e foi adotado por decisão dos sócios fundadores do Conselho Brasileiro para Superdotação, entre os quais tu estás, em 2003.


Desta forma, esse é o termo que manteremos no nome dos eventos e que também utilizaremos em todos os nossos documentos e publicações, pelo menos até que a Assembleia Geral deste Conselho, que é soberana, decida em contrário.

Pessoalmente discordo profundamente de tuas colocações e já tenho escrito e fundamentado isso num capítulo do livro Altas Habilidades/Superdotação, talento, dotação e educação, organizado pelas Profas. Laura Ceretta Moreira e Tânia Hotz. Além de ser professora, sou tradutora, domino o inglês desde os meus 5 anos, o francês desde os meus
12, e a minha língua materna é o espanhol. Por isso, sinto-me a vontade para afirmar que “high ability” pode, sim, ser traduzido por “altas habilidades”, tanto em português quanto em espanhol, e que “dotado” em substituição de “superdotado” não muda em nada a carga significante que o termo tem nem em espanhol e nem em português.


Não vou iniciar uma discussão infrutífera e demorada sobre quem tem razão ou não, apenas quero deixar claro para aqueles que não dominam outras línguas, que a tradução de “gifted” por “superdotado” certamente não é a mais correta, porque gift significa “dom/presente” e, “gifted”, então, significaria “dotado” (mas não “presenteado”), mas historicamente, ela foi traduzida por “superdotado” e não por “dotado”.


E qual o significado que a palavra “dotado” tem no português brasileiro?
E na língua espanhola?


Basta procurarmos na Internet que é, hoje, o maior acervo de informações e desinformações, para ver qual é o significado mais popular. Não é muito adequado, no meu entender.


Como se traduz “saudade”? Poderiamos fazer um tratado científico sobre a tradução literal de saudade e ninguém chegaria a uma “decisão” sobre qual é a tradução correta, simplesmente porque não existe! É muito difícil que uma pessoa cuja língua seja a inglesa possa compreender o verdadeiro significado de uma palavra na língua portuguesa e, portanto, desta forma, querida Zenita, respeito (mas não compartilho) a tua decisão de adotar “dotado”, não gosto da palavra “superdotado”, mas, por respeito à decisão do ConBraSD, manteremos o termo adotado na nossa fundação, pelo menos por enquanto.


Creio que no que sim temos que concentrar os nossos esforços coletivos é em fazer que os nossos meninos, meninas, jovens e adultos sejam reconhecidos, respeitados e valorizados.

Essa, acredito eu, é a maior missão do ConBraSD e de todos nós!


Meus comentários a este respeito :


Na qualidade de advogada da área da Educação e com ênfase em Altas Habilidades, adoto a terminologia usada em todos os nossos textos legais, que é o aluno com altas habilidades / superdotação. Se um dia, este termo mudar, na legislação, eu acompanho a mudança com tranquilidade. 

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